Foto: UFPR

O país passa por uma das mais graves crises econômicas das ultimas décadas e isso refletiu em todas as universidades, com cortes implementados pela União.

Para a Federal do Paraná o orçamento encolheu em R$ 11,3 milhões em relação ao ano passado, isso só para as despesas de custeio.

É dinheiro para os gastos do dia a dia: luz, água, telefone, contratos, material de consumo. Menos dinheiro apesar do que todos sabemos e experimentamos no próprio bolso: que a inflação subiu, e os preços foram reajustados, estão mais altos agora do que em 2016.

Para enfrentar a situação, a reitoria da UFPR garante que vem fazendo cortes de gastos para manter todos os serviços ativos, mas há situações que fogem aos esforços da administração. É o caso de outras tesouradas promovidas, por exemplo, nas bolsas do CNPq.

Ana Sofia Monteiro de Oliveira, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia da UFPR, afirma que a verba a menos comprometeu a pesquisa da instituição, com atrasos e reduções nos trabalhos, além da inviabilização de parte das atividades.

Segundo ela não há exceção: todas as pesquisas foram impactadas.

Mesmo com orçamento bastante contingenciado, a Universidade vem aplicando recursos para ajudar os laboratórios, mas a verba não se compara àquela com que os pesquisadores contavam antes dos cortes.

Para além do número frio, o impacto é percebido na rotina dos laboratórios que deveriam trabalhar a todo vapor. A pesquisadora Janaína Menezes conta como andam os esforços para manter o trabalho.

Janaína é professora da universidade, pesquisadora do Laboratório de Fisiologia e Farmacologia do Sistema Nervoso Central e coordenadora da Pós-Graduação em Farmacologia da instituição.

Na prática, trabalha com testagem de medicamentos, a ferramenta essencial e básica para esclarecer os efeitos benéficos de novos fármacos e garantir que eles sejam seguros para utilização.

Só para essa atividade a expectativa era da chegada de R$ 120 mil em um único convênio ligado ao CNPq, mas desse dinheiro só 26 mil chegaram até agora. Situação que não é isolada, segundo a pesquisadora.

Com tanta deficiência, a maior preocupação não é a de curto prazo, mas os reflexos que o achatamento dos recursos pode causar: a falta de profissionais capacitados.

As preocupações não são apenas da professora, nem são de hoje. Em entrevista recente à CBN Curitiba, o reitor da UFPR Ricardo Fonseca comentou que a situação de momento de todas as Federais é de sobrevivência.

Repórter Cristina Seciuk

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