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Terrazza Panorâmico

Dos três dias reservados foi necessário apenas um para que a juíza Luciane Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, interrogasse os sete réus acusados de participação na morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, em outubro do ano passado.

Isso porque apenas quatro deles aceitaram responder as perguntas formuladas pela juíza e pelos advogados de defesa.

A primeira a ser interrogada foi Allana Brittes, filha de Edison Brittes Júnior, que confessou ter assassinado o jogador, e Cristiana Brittes, que segue presa na Penitenciária Feminina de Piraquara.

Allana, que ficou presa por quase 10 meses, chegou ao Fórum de São José dos Pinhais pela primeira vez pela porta da frente e sem algemas. Ela foi ouvida durante pouco mais de uma hora e respondeu apenas perguntas da juíza e dos advogados de defesa, permanecendo calada durante os questionamentos da assistência de acusação e do Ministério Público do Paraná.

A jovem, de 18 anos, afirmou que a mãe tentou fazer com que as agressões contra o jogador parassem, mas sem sucesso. Allana também respondeu o motivo de ter mentido para amigos e familiares de Daniel, ao dizer que o jogador saiu sozinho da casa.

A segunda pessoa a ser interrogada foi Evelyn Brisola Perusso, que teria ficado com Daniel na festa de aniversário de Allana em uma casa noturna de Curitiba. Evelyn se defendeu das acusações e disse que quem deveria estar sentado no banco dos réus, hoje é tratado como testemunha, mesmo tendo agredido o jogador e destruído o celular dele.

Edison ficou em silêncio

O interrogatório mais aguardado era o de Edison Brittes Júnior. O réu confessou que matou o jogador depois de ter visto Daniel tentando estuprar Cristiana Brittes. Mas ele preferiu manter o silêncio após ter sido negado o pedido para que ele fosse o último dos réus a ser interrogado.

Além de Edison Brittes, David Vollero Silva e Ygor King também preferiram manter o silêncio e não responder a nenhum dos questionamentos.

Das quatro pessoas acusadas de agredir Daniel e o levarem para a Colônia Mergulhão, onde seria assassinado, apenas Eduardo Henrique da Silva respondeu as perguntas da juíza e dos advogados de defesa.

Eduardo afirmou que apenas Edison Brittes carregou o corpo do jogador para o matagal e o matou. Uma das dúvidas que nem o laudo de necropsia conseguiu identificar era se Daniel foi emasculado antes de ser morto. Eduardo respondeu à pergunta e disse que Edison Brittes primeiro cortou o pescoço do jogador.

A última a falar foi Cristiana Brittes. A mulher de Edison Brittes falou por mais de uma hora e chorou na maior parte do tempo. Ela diz ser inocente das acusações e voltou a dizer que Daniel é quem cometeu o primeiro crime e que ele deveria estar vivo para responder por isso.

Depois dos interrogatórios, agora as defesas, a assistência de acusação e o Ministério Público do Paraná (MPPR) tem um prazo para apresentar as alegações finais e a juíza decidir se os réus vão ou não a júri popular. A expectativa é que a pronúncia da juíza seja apresentada ainda em 2019.

Repórter William Bittar