Foto: Policia Civil

Curitiba teve, entre janeiro e maio deste ano, 97 homicídios. Destes, 54% dos casos foram elucidados pela Polícia Civil do Paraná. O percentual é maior do que o alcançado no mesmo período do ano passado, quando 39% dos crimes foram solucionados.

Dos 53 assassinatos com autoria identificada neste ano, 51 já tiveram os suspeitos presos.

A delegada Camila Cecconello, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), explica que a maioria dos casos elucidados está relacionada com o tráfico de drogas.

Os números atuais são positivos, no entanto, o Paraná tem crimes que ocorreram no passado que não há nem sinal do autor. Casos polêmicos completam anos a fio sem uma resposta.

O homicídio da menina Raquel Genofre completou 10 anos em novembro, sem solução. A menina, na época com oito anos de idade, desapareceu no dia 3 de novembro de 2008, após sair da escola na região central. Ela foi encontrada morta, esquartejada, com sinais de violência sexual e estrangulamento, dentro de uma mala deixada embaixo de uma escada na rodoferroviária de Curitiba dois dias depois do desaparecimento.

As câmeras de vigilância da rodoferroviária não funcionavam naquele dia. Mais de 200 testes de DNA já foram realizados e nenhum suspeito foi identificado.

Outro caso ainda sem resposta é o da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, encontrada morta dentro de um poço em frente a um parque de diversões, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Na próxima terça-feira (25), o crime completa seis anos. Desde então, as circunstâncias da morte da garota seguem incertas.

A investigação mudou de mãos três vezes, em decorrência de reviravoltas no caso. A principal delas foi uma acusação feita pelos quatro suspeitos apontados pela polícia: eles disseram ter admitido participação na morte sob tortura.

A situação foi investigada, gerou apresentação de denúncia e condenação de um delegado e dois investigadores.

Após as acusações de tortura virem à tona – versão que implicava mais de 20 pessoas, entre elas 12 policiais – houve a primeira troca de delegado no caso e também a substituição do comando da Polícia Civil. Os quatro suspeitos foram colocados em um programa de proteção a testemunhas e retirados do estado ainda em julho daquele ano. Após a troca de condução do caso, surgiu a informação de novas provas.

Outro ponto de controvérsia era sobre a possibilidade de estupro, sustentada pela polícia, mas que foi descartada por uma perita que trabalhou no caso. Segundo ela, os exames feitos revelavam que a garota não apresentava sinais de resistência ou luta corporal, característicos em situações de abuso.

Diante disso, a promotoria autorizou a exumação do corpo de Tayná, procedimento feito dois meses depois do assassinato. Foi quando a Justiça aprovou o pedido do Ministério Público que obrigava policiais a fornecerem material genético para ser confrontado com o sêmen encontrado na vítima. O material genético não batia com o dos quatro suspeitos inicialmente apontados pela investigação.

Ainda em 2013, um quarto delegado assumiu o caso e o prazo para que o inquérito estivesse pronto era o fim de setembro daquele ano. O documento sobre a investigação foi enviado ao Ministério Público, mas devolvido para a realização de mais diligências. Não há informação sobre a conclusão do inquérito.

Repórter Francielly Azevedo