Foto: EBC

Com um tumor benigno no cérebro, a curitibana conseguiu na Justiça do Paraná a autorização para cultivar e manusear maconha medicinal para uso próprio.

O advogado da moça, Anderson Rodrigues Ferreira, conta que entrou com o pedido de habeas corpus em janeiro e a decisão foi proferida no fim de junho.

A doença se manifestou em 2010 e causou diversos problemas na mobilidade e na visão, fraqueza e espasmos musculares, fortes dores de cabeça e até perda de consciência.

O tratamento convencional feito durante quatro anos, com oito medicamentos diferentes, não surtiu efeito. Por isso, procurou métodos alternativos, encontrando artigos na internet que falavam do uso do óleo de cannabis. Com o consentimento dos médicos, passou a utilizá-lo.

O advogado explica que a planta utilizada no óleo é rica em canabidiol (CDB), substância com efeito analgésico, anti-inflamatório e neuroprotetor e possui uma quantidade muito pequena de tetra-hidrocarbinol (THC) responsável pelos efeitos alucinógenos.

O juiz determinou que seja utilizado um método aprovado por técnicos, além do limite de cultivo de até um metro quadrado da planta. O advogado conta que a produção do óleo é artesanal, feita pela própria paciente.

No Brasil, a Anvisa permite o uso de maconha medicinal seguindo regras definidas pela própria agência desde que seja comprovada a segurança e eficácia. Já existe inclusive o registro de um medicamento à base de canabidiol e THC para o tratamento de esclerose múltipla.

Em Toledo, no oeste do Paraná, funciona o único laboratório do país autorizado a produzir e vender o extrato de canabidiol. Em fase de testes clínicos, a previsão dos pesquisadores é que o medicamento esteja disponível no mercado até o fim de 2018.

Anderson Rodrigues Ferreira acredita que a autorização da curitibana é um avanço.

Em âmbito de legislação, um projeto de lei tramita na Câmara Federal. Ele foi proposto pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e prevê o controle, fiscalização e regulamentação do uso da cannabis no país.

A proposta sugere a liberação de até 40 gramas de maconha não prensadas por mês, tanto para uso recreativo quanto fins medicinais.

O projeto aguarda despacho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para ir a plenário.

Repórter Francielly Azevedo

Deixe uma mensagem