Foto: arquivo pessoal.

Pela primeira vez no Paraná, uma atleta de vôlei transexual vai poder disputar torneios oficiais por times do gênero feminino. A curitibana Isabelle Neris conseguiu nesta semana a aprovação da Federação Paranaense de Voleibol.

A carreira da atleta no vôlei começou há mais de dez anos quando ela entrou para as categorias de base do Rexona. Na época, o time profissional era comandado pelo técnico Bernardinho. Mas em 2004, o Rexona se mudou para o Rio de Janeiro e a atleta teve que deixar o esporte em segundo plano.

Após um longo processo de mudanças físicas, hormonais e psicológicas, no fim do ano passado ela conseguiu na justiça a permissão para alterar o nome nos documentos de identidade. Com o nome “Isabelle” no RG, ela voltou a sonhar com a carreira no esporte.

Há dois anos, ela conheceu o grupo de vôlei amador Voleiras, onde joga até hoje. Foram os integrantes do time que a incentivaram a insistir na carreira.

Todo o apoio e esforço foram recompensados quando, nesta semana, a Federação Paranaense de Voleibol a autorizou a integrar times do gênero feminino e disputar torneios oficiais. O suporte dado pela entidade foi um grande incentivo para Isabelle.

A federação chegou a consultar o Comitê Olímpico Brasileiro e o Internacional, no entanto, o único caso encontrado foi o da goianiense, Tifanny Abreu. Ela foi a primeira atleta brasileira transexual a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei para jogar com mulheres.

Tiffany disputa a série B da liga italiana. No ano passado, uma atleta italiana transexual também foi autorizada a defender um time feminino no país.

Para o vice-presidente da Confederação Brasileira de Voleibol, e presidente da Federação Paranaense de Voleibol, Neuri Barbieri, o caso de Isabelle deve estimular a discussão sobre a presença de transexuais no esporte.

A liberação da atleta pela Federação Paranaense de Vôlei foi comemorada pelo Transgrupo Marcela Prado. A organização paranaense combate o preconceito contra travestis e transexuais e luta pela garantia plena dos direitos humanos. A presidente da entidade, Rafaelly Wieft, espera que representantes de outros esportes e do poder público se inspirem na história de Isabelle.

Com a autorização da Federação Paranaense de Voleibol, agora a atleta busca se filiar e ingressar em times profissionais.  Neste fim de semana, ela disputa pela primeira vez um torneio entre mulheres a Copa Dia Internacional da Mulher, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Repórter: Ana Krüger. 

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