Foto: Agência Brasil

O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, e o juiz Sérgio Moro voltaram a discutir em uma audiência da operação Lava Jato. Dois delatores foram ouvidos nesta quarta-feira numa ação que apura se Lula foi beneficiado com propinas pagas pela Odebrecht. O ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, falou por cerca de meia-hora. Já o depoimento do ex-gerente de serviços da estatal, Pedro Barusco, durou 40 minutos.

A defesa de Lula quis saber se os colaboradores também firmaram acordos no exterior. Nos dois casos, as defesas pediram ao juiz para indeferir as questões para não atrapalhar eventuais negociações em andamento em outros países. Moro acolheu os pedidos e pediu para que Cristiano Zanin não fizesse perguntas sobre delações no exterior. O advogado insistiu em, pelo menos, formular as questões para que ficassem registradas nos autos. Foi quando aconteceu o bate-boca.

Barusco e Costa falaram sobre pagamentos de propina em inúmeros contratos da Petrobras, com foco nos repasses ilícitos feitos pela Odebrecht entre 2003 e 2013. Questionado por Moro, Barusco falou sobre os valores que devolveu através do acordo de delação. Ele mantinha, no exterior, mais de R$ 200 milhões em propina.

Paulo Roberto Costa falou sobre encontros com o ex-presidente Lula, que só teriam acontecido em inaugurações de obras da Petrobras. Ele disse que nunca se reuniu apenas com Lula, pois sequer tinha intimidade ou relação de proximidade com o petista.

A ação penal apura se Lula recebeu propina de quase R$ 13 milhões da Odebrecht através da compra de um terreno para o Instituto Lula, em São Paulo, e de um apartamento em São Bernardo do Campo. Entre os réus do processo, também estão o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antônio Palocci.

As audiências com testemunhas de acusação seguem até o próximo dia 07. Outros 11 delatores ainda serão ouvidos, incluindo o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, além de seis executivos da Odebrecht, como o patriarca da família baiana, Emílio Odebrecht. A partir do dia 12 de junho, Moro começa a ouvir as testemunhas de defesa.

Repórter Tabata Viapiana

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