Foto: Francielly Azevedo

A defesa do ex-governador Beto Richa quer que o processo da Operação Rádio Patrulha seja julgado pela Justiça Eleitoral.

A argumentação é com base nos supostos produtos dos crimes de fraude à licitação e de corrupção, que foram destinados ao caixa dois de campanha eleitoral do tucano. Por este motivo, segundo a defesa, a Justiça Estadual não teria competência para julgar o caso.

O pedido foi apresentado pelos advogados de Richa no dia 16, como um complemento na prévia da defesa. 51 testemunhas de defesa foram arroladas. A maioria, 48, mora em cidades do interior do estado.

Além do questionamento sobre a competência da Justiça, a defesa solicita a rejeição da denúncia por falta de provas e o reconhecimento da ilicitude das gravações apresentadas pelo delator Tony Garcia, já que, segundo a defesa, teriam sido obtidas de forma ilegal e sem a apresentação do aparelho utilizado para captação dos os áudios.

Desde que a Operação Rádio Patrulha foi deflagrada, em 11 de setembro do ano passado, a ação está sob a responsabilidade da Justiça Estadual do Para

ná. O processo estava suspenso desde janeiro deste ano até que em 23 de abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que ele seja julgado pela Justiça Estadual.

Rádio Patrulha

O ex-governador Beto Richa, o ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa e outras 11 pessoas respondem ao processo.

A operação investiga pagamentos de propina no programa “Patrulha do Campo”, responsável por obras em estradas rurais do estado.

Beto e Pepe são investigados por corrupção passiva e fraude à licitação. Os crimes teriam sido praticados entre 2011 e 2018.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o esquema envolve mais de R$ 100 milhões pagos a empresas investigadas.

Prisão

Beto Richa chegou a ser preso no dia 11 de setembro de 2018 e solto quatro dias depois após habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Operação Integração

Essa não foi a primeira vez que a defesa de Richa tentou tirar a competência de julgamento da Justiça Estadual. Em março, os advogados já haviam pedido que a ação da Operação Integração fosse para a Justiça Eleitoral.

O processo surgiu em uma das fases da Lava Jato e corre na 23ª Vara Criminal de Curitiba. Nele, o tucano é acusado de lavagem de dinheiro.

Repórter Lucian Pichetti