Foto: Pedro de Oliveira/Alep

Teve um mal-estar geral durante a fala de um deputado na sessão desta segunda-feira na Alep. O tema foi o projeto de lei que trata da reforma administrativa, principal promessa de campanha do governador eleito Ratinho Jr.

O problema foram os números apresentados envolvendo os chamados cargos em comissão. Segundo o texto do governo,  a redução de secretarias de Estado iria abolir quase 340 cargos comissionados e funções gratificadas. Com isso a economia gerada ultrapassaria os R$ 10 milhões.

Mas de acordo com o deputado Soldado Fruet, do Pros, uma das funções dos parlamentares é defender o povo. Usando a verba de gabinete, ele contratou um estudo técnico comparando o projeto com a atual estrutura da máquina pública.

A conclusão foi de que na prática, a redução seria de apenas 37 cargos comissionados, e as despesas seriam elevadas em mais de R$ 10 milhões, em uma proporção inversa à projetada pelo governo depois da implementação da reforma.

O fato gerou constrangimento. Soldado Fruet explicou que ao encomendar o estudo, estava apenas desempenhando o seu papel de parlamentar.

Soldado Fruet disse ainda que não vê problemas de ter divulgado o estudo para a imprensa, e que os dados estão disponíveis à todos os interessados.

Já o líder do governo na Casa, HUssei Bakri, do PSD, admitiu que as pessoas estão sujeitas ao erro. No entanto, ele disse que, neste caso,  confia no estudo do governo.

Mesmo defendendo o projeto do governo, Hussein Bakri disse que pediu a retirada do projeto da pauta, e que ele só volta ao Plenário depois dos devidos esclarecimentos.

O projeto de lei da reforma administrativa foi elaborado no final do ano passado, com o apoio da Fundação Dom Cabral. O texto chegou na Assembleia Legislativa no último dia 12.

Repórter Fábio Buchmann