Foto: André Richter - Agência Brasil / EBC
Terrazza Panorâmico

Quatro dias depois de ser preso em uma operação da Polícia Federal, Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão, deixou a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, na manhã deste sábado (14). A decisão é do desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Federal Regional da 4ª Região (TRF-4).

Márcio Lobão foi preso no dia 10 de setembro durante a 65ª fase da Operação Lava Jato, denominada Galeria, que investiga crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro relacionados à Transpetro, subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidroelétrica de Belo Monte, no Pará.

As investigações apontam que, ao menos entre 2008 e 2014, o ex-ministro Edison Lobão e o filho Márcio Lobão solicitaram e receberam propinas de aproximadamente R$ 50 milhões dos Grupos Estre e Odebrecht.

De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos de propina eram feitos de diversas formas como aquisição e posterior venda de obras de arte com valores sobrevalorizados, simulação de operações de venda de imóvel, simulação de empréstimo com familiar, utilização de laranjas em operações de compra e venda de obras de arte, e movimentação de valores milionários em contas abertas em nome de empresas ‘offshore’ no exterior.

Segundo o despacho de Gebran Neto, muito embora tudo indique que Márcio Lobão “tenha realizado operações espúrias, não há elementos – neste momento – que indiquem uma participação mais intensa e com ingerência no seio de alguma organização criminosa”.

A prisão de Márcio Lobão foi substituída por medidas cautelares, como proibição de deixar o país sem autorização do juízo, devendo entregar todos os passaportes que possuir; proibição de fazer contato de qualquer forma, mesmo por intermédio de terceiros, com os demais investigados ou com empregados da instituição financeira da qual foi desligado e comparecimento obrigatório ao interrogatório judicial – se for o caso – e demais atos do processo a que for chamado, exceto se expressamente dispensado pelo juízo.

O desembargador também determinou o pagamento de fiança de R$ 5 milhões.

Repórter William Bittar