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Mesmo após a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP-PR) afirmar que todos os presos da Delegacia de São José dos Pinhais foram transferidos após casos de sarna registrados na carceragem, os próprios detentos gravaram um vídeo desmentindo a transferência e afirmando que vão “quebrar a cadeia caso cheguem mais pessoas”.

As imagens foram divulgadas pelo Conselho da Comunidade de Curitiba e Região Metropolitana, que acompanha a situação dos presos nas delegacias e penitenciárias.

Segundo o conselho, apenas 12 dos 55 detentos foram transferidos para unidades prisionais após a denúncia dos casos de sarnas, no final de semana.

A carceragem da Delegacia de São José dos Pinhais tem capacidade máxima para oito pessoas.

A presidente do Conselho da Comunidade de Curitiba, advogada Isabel Kugler Mendes, contou à rádio CBN Curitiba que esteve na carceragem nesta segunda-feira (5) e reafirmou que mesmo 12 presos sendo transferidos, haviam novamente os 55 na unidade.

Ainda de acordo com o conselho, a cadeia está interditada há cerca de dois anos pela Vigilância Sanitária e pelo Corpo de Bombeiros, mas continua abrigando presos.

Em um levantamento recente do Conselho da Comunidade, realizado em 14 cadeias públicas de Curitiba e Região Metropolitana, a superlotação é comum em todas elas.

As delegacias têm espaço para 341 detentos, mas a população abrigada chega a 1.170 pessoas, ou seja, três vezes mais do que a capacidade máxima. O caso mais grave é na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, que só poderia receber oito detentos, mas abriga 114 presos, 14,2 vezes mais que sua capacidade.

A presidente do Conselho ainda revelou que os levantamentos foram feitos para que as situações sejam revistas pelo atual governo, mas que, até agora, nenhuma autoridade recebeu a equipe para tratar o assunto.


Procurada pela CBN Curitiba, a Secretaria de Segurança Pública voltou atrás e disse que na última sexta-feira (1) foram transferidos doze presos. Além disso, afirmou que ainda nesta terça-feira “outros dez devem ser retirados do local e novas transferências devem ocorrer ao longo desta semana”.

Por fim, frisou que enquanto os presos são transferidos por conta das situações de sarna, eles “estão sendo acompanhados pela Secretaria de Saúde do município”.

Repórter William Bittar