Foto: William Bittar

Uma decisão que não só pegou muita gente de surpresa, mas exaltou novamente os ânimos de todos os lados, em Curitiba. Após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a soltura de todos os presos que estão detidos em razão de condenações após a segunda instância da Justiça, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestantes pró e contra Lula foram para frente da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, aguardar alguma decisão sobre o caso.

Antes mesmo da chegada da Polícia Militar, os manifestantes se encontraram lá na frente. Não houve brigas, mas as discussões aconteceram.

A expectativa era de ambos os lados, até que, quase seis horas depois, o presidente do STF, Dias Toffoli, derrubou a decisão de Marco Aurélio. No documento de oito páginas, o presidente do STF apontou que a decisão do ministro colocava em risco a ordem pública.

Toffoli ainda frisou que a decisão de Marco Aurélio contrariava a “decisão soberana” do plenário do STF, que decidiu, ainda em 2016, pela aprovação de prisão após condenações em segunda instância.

Na frente da Polícia Federal, em Curitiba, comemoração de um lado e revolta do outro.

A representante do movimento República de Curitiba, Elisa Robson, comemorou a decisão de Toffoli.

Já o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná, Doutor Rosinha, questionou a autoridade de um ministro do STF e disse que existem duas classes de magistrados dentro do Supremo.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 169 mil presos poderiam se beneficiar da decisão de Marco Aurélio.

Mesmo após o ministro Dias Toffoli derrubar a decisão, a defesa de Lula pediu que o próprio ministro Marco Aurélio liberte o ex-presidente.

Segundo o documento enviado, Toffoli não poderia ter contrariado a decisão do magistrado.

O presidente do STF determinou ainda que o caso seja suspenso até 10 de abril do ano que vem, quando o Supremo julgará a validade das prisões após condenação em segunda instância.

O ex-presidente Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 07 de abril, onde cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão pela condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).

Repórter William Bittar