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Operações como a Lava Jato têm buscado cumprir um importante papel: passar o Brasil a limpo. Grandes esquemas de corrupção, desvendados com as investigações policiais, têm mostrado a necessidade de rever o modo de fazer política no Brasil.

Dentro desse contexto, é muito importante que as empresas também invistam em programas de controle interno e, cada vez mais, em transparência.

É o conceito do Compliance: o conjunto de ações que auxiliam os envolvidos a agirem em sintonia com a legislação, os valores, as diretrizes e as políticas de uma determinada empresa ou instituição.

A indústria de biotecnologia Granotec, localizada na região de Curitiba, é considerada uma pequena empresa. São 120 colaboradores. Ela decidiu normatizar o programa de compliance há seis anos, mesmo que a cultura da transparência na empresa venha muito antes disso. Quem explica é Eduardo Feliz, diretor comercial da empresa.

Eduardo também desmistifica a ideia de que programas de compliance são inviáveis financeiramente para as pequenas empresas. Segundo ele, é uma questão muito mais de princípios do que de investimento.

A percepção dessa importância em investir nos programas de compliance tem crescido, motivada principalmente pelo momento político no país, segundo Marco Antônio Guimarães, gerente jurídico do Sistema Fiep.

É preciso gastar muito em um programa de compliance? Não necessariamente.

É bom lembrar que desde janeiro de 2014 a lei anticorrupção está em vigor. Prevê a responsabilização objetiva, no âmbito civil e administrativo, de empresas que praticam atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira.

De acordo com Marco Antônio Guimarães, a nova lei tapou um buraco que existia no ordenamento jurídico do país ao tratar diretamente da conduta dos agentes corruptores.

O caminho a ser percorrido, no entanto, ainda é longo. Pesquisa feita com 250 empresas feita pela consultoria KPMG e divulgada no início deste ano, apontou que 58% delas possuíam mecanismos de gestão de riscos de compliance, enquanto 42% afirmaram simplesmente desconhecê-los.

Mas, muitos, já têm a certeza de que deram os primeiros passos. Ainda há esperança de que daqui a algum tempo, o conhecido “Jeitinho Brasileiro”, não seja mais sinônimo de malandragem e que o monstro da corrupção seja definitivamente enterrado.

Repórter Fábio Buchmann

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