Foto: EBC

O ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, foi preso pela Polícia Federal na manhã de hoje, na 42ª fase da Lava Jato, batizada de operação Cobra. Ele foi alvo de um mandado de prisão temporária e foi detido em Sorocaba, no interior de São Paulo. Bendine é acusado de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht e foi citado nas delações premiadas de executivos da empreiteira, incluindo o ex-presidente Marcelo Odebrecht.

De acordo com o Ministério Público Federal, quando ainda era presidente do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões à Odebrecht para viabilizar um contrato de financiamento. Na ocasião, a empreiteira negou o pedido. Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os R$ 3 milhões para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e também para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação já tinha completado um ano. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo.

Bendine foi nomeado para a Petrobras pela ex-presidente Dilma Rousseff para substituir Graça Foster. Ao ser anunciado, o discurso era de que Bendine “colocaria ordem na casa e acabaria com a corrupção”. Agora, ele próprio está preso por ter recebido vantagens indevidas. Outros dois operadores financeiros, que atuavam junto com Bendine, também foram detidos: André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior.

Eles são sócios de uma empresa de comunicação que teria sido usada para intermediar o repasse da propina a Bendine. Um deles confirmou, neste ano, ter recebido R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar um financiamento junto ao Banco do Brasil. Mas as investigações do MPF indicam que se tratava de dinheiro de propina. Por isso, o Ministério Público falou em “audácia” dos investigados de continuar praticando atos ilícitos em 2017, com mais de três anos de Lava Jato.

Os três presos serão trazidos a Curitiba. Essa foi a primeira etapa realizada pela força-tarefa paranaense com base nas colaborações da Odebrecht. O nome da operação, Cobra, é uma referência ao apelido de Bendine nas planilhas de propina da Odebrecht. Ele esteve à frente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015, e foi presidente da Petrobras entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016. É o primeiro ex-presidente da Petrobras preso pela Lava Jato.

Em nota a defesa de Bendine afirmou que:

“A prisão temporária de Aldemir Bendine com base em uma suposta viagem só de ida para Portugal deve ser reconsiderada, uma vez que a defesa juntou a passagem de volta e as reservas em todos os hotéis nos quais ele se hospedaria. Vale destacar que em 07 de julho o executivo juntou petição na qual se colocou à disposição do ministério público para esclarecer os fatos e juntou seus dados fiscais e bancários, abrindo mão do sigilo.
A cautelar é absolutamente desnecessária”.

Repórter Tabata Viapiana

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