Foto: Rogério Machado/SEDS

A ex-primeira dama e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, esposa do ex-governador Beto Richa (PSDB), foi denunciada pela força-tarefa da Operação Lava Jato pelo crime de lavagem de dinheiro em um processo que investiga um esquema de propina em contratos de pedágio. A  inclusão foi feita na última segunda-feira (11), após a análise de novas provas.

O documento foi apresentado originalmente no último dia 29 de janeiro, quando o ex-governador do Paraná, Beto Richa, o filho do casal, André Richa, além do contador da família, Dirceu Pupo, foram denunciados por lavagem de dinheiro na compra de um terreno localizado dentro de um condomínio em Curitiba.

A negociação do imóvel ocorreu no ano de 2012 e o MPF afirma que o valor total da compra foi de R$ 1,950 milhão, mas que na escritura aparece o valor de R$ 505 mil.

Segundo a denúncia, neste caso a compra de imóveis nada mais é do que uma forma dissimulada de incorporação do dinheiro da propina, paga por concessionárias de pedágio, ao patrimônio de familiares de Richa.

As transações ocorreram em nome da Ocaporã Administradora de Bens. A empresa pertence formalmente à ex-primeira dama Fernanda Richa. Dirceu Pupo atuava como administrador.

Essa foi a segunda denúncia de autoria do MPF contra Beto Richa, no esquema de pagamento de propina envolvendo contratos de pedágio. Beto Richa foi preso preventivamente no dia 25 de janeiro, no âmbito da Operação Integração. Ele foi solto uma semana depois, após decisão do STJ.

Segundo a Justiça, o ex-governador e Dirceu Pupo tentaram influenciar depoimentos de testemunhas envolvidas nas investigações. Isso teria motivado a prisão.

Ainda no último dia 29 de janeiro, a defesa da ex-primeira dama protocolou uma “petição de esclarecimento” em que diz que todas as transações de vendas de imóveis foram regulares e que Beto Richa não detinha a “palavra final” nas aquisições imobiliárias da família, como aponta o MPF.

A defesa da ex-primeira dama se posicionou por meio de nota:

“O Ministério Público Federal acusou o próprio filho do ex-governador para atingi-lo. Após, o protesto de Fernanda, resolve acusá-la também. É evidente a situação de excesso de acusação e profunda injustiça. A defesa de Fernanda Richa confia no poder judiciário, que certamente saberá evitar que maiores prejuízos se produzam, pois não cometeu qualquer ilegalidade e refuta as acusações falsas criadas contra ela”.

Repórter Francielly Azevedo e Fábio Buchmann