Foto: AEN

Com a recente confirmação de mais dois casos de febre amarela diagnosticados no Paraná, os especialistas reforçam a recomendação para que os moradores de toda a região leste do estado tomem a vacina contra a doença.

A insistência na orientação tem explicação, de acordo com a virologista Cláudia Nunes Duarte do Santos, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Paraná: é esforço para evitar que o vírus, que hoje é apenas silvestre, alcance circulação na área urbana (o que não ocorre desde a década de 1940). A própria existência da vacina torna muito maiores as chances de se evitar a chegada do vírus na selva de pedra, mas para isso – claro – a cobertura vacinal tem que ser abrangente, sem furos de bloqueio.

Em áreas rurais e silvestres a transmissão é feita pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. São esses que se alimentam também do sangue de macacos, deixando-os doentes, assim como ocorreria com uma pessoa que viesse a ser picada. Acontece que nas cidades, o vírus pode ser propagado por um velho conhecido, o mosquito da dengue.

A criação desse bloqueio, por meio da imunização, é primordial de acordo com a virologista porque a propagação silvestre que vem ocorrendo pelo país e considerada inevitável, pois ocorre pelos corredores verdes, de floresta. Olhando o mapa, o caminho feito, vindo do Sudeste, tem passagem natural pela mata atlântica, ainda extensa no Paraná em comparação com o remanescente no país.

É por causa disso que se reforça também outra informação: sobre a importância dos chamados macacos sentinelas.

De acordo com os dados do boletim epidemiológico da febre amarela divulgado nesta quinta-feira, há 13 mortes de macacos ainda em investigação, sendo duas na Grande Curitiba. Outros 32 casos de macacos encontrados mortes tiveram a febre amarela descartada como causa e apenas uma foi confirmada, em Antonina, no litoral.

A Fiocruz Paraná é o laboratório regional de referência, responsável pela análise de exames também de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Foi de lá que vieram as confirmações dos três casos com diagnóstico positivo até o momento no estado: um em Antonina e dois em Adrianópolis, no Vale do Ribeira. Eles têm 21, 34 e 55 anos, todos dentro da faixa etária com recomendação para tomar a dose: dos 9 meses até 59 anos.

Repórter Cristina Seciuk