Follador: a diferença entre ver e enxergar

Follador: a diferença entre ver e enxergar
Foto: Pixabay

O Hemingway dizia que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez.

Eu também li que para viver intensamente devíamos olhar tudo como se fosse a primeira vez. Primeira ou última, não importa, desde que prestássemos atenção no que víssemos.

É que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo.
Experimente ver pela primeira vez o que você enxerga todo dia mas não vê. Parece fácil, mas não é. O que nos é familiar já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você vai para o trabalho todo dia pelo mesmo caminho. Se chegando lá alguém pergunta o que é que você viu você não sabe dizer.
De tanto ver, você não enxerga.

Sei de um profissional que passou 25 anos a fio pelo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre o mesmo porteiro, que lhe dava bom dia e, às vezes, uma correspondência.

Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele, sua cara, e como se vestia? Não fazia a mínima ideia.
Em 25 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o mundo.

Mas o hábito embaça os olhos. Há pai que não vê o próprio filho. Marido que nunca viu a mulher, colega de trabalho que não enxerga o colega ao lado.

Nossa vista cansada não nos permite admirar o espetáculo da vida.
Pense nisso.

Ouça a coluna na íntegra:

Renato Follador para a CBN Curitiba


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