Terrazza Panorâmico
Foto: Agência Brasil/arquivo

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, procurador Deltan Dallagnol, concedeu entrevista ao Jornal da CBN na manhã desta quarta-feira. Ele comentou sobre um dos episódios mais polêmicos nos três anos de operação: a coletiva de imprensa, realizada em setembro de 2016, em que o MPF apresentou denúncia contra o ex-presidente Lula.

Os procuradores usaram uma apresentação em PowerPoint que apontava Lula no centro da corrupção na Petrobras. Ele foi classificado pelo MPF como o “comandante máximo e o grande general” do esquema desvendado pela Lava Jato. A coletiva gerou críticas dos apoiadores de Lula, que disseram que os procuradores não apresentaram provas e falaram apenas em “convicção”.

Deltan acredita que as palavras do MPF foram mal interpretadas, pois Lula foi apontado como líder do esquema, mas não foi denunciado por associação criminosa. Porém, segundo Deltan, havia indícios para a denúncia, já que o ex-presidente foi acusado por crimes de corrupção de mais de R$ 80 milhões, além de vários atos de lavagem de dinheiro. Ainda segundo ele, as pessoas que estão nos mais altos níveis das organizações criminosas não sujam as mãos.

Sobre a anistia ao caixa 2 discutida no Congresso Nacional, o procurador afirmou que o tema é apenas uma cortina de fumaça para o que se pretende na realidade, que seria anistiar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Dallagnol também defendeu a modernização da Lei de Abuso de Autoridade, mas acredita que o texto debatido ano passado no Congresso foi uma tentativa de cercear a independência do Ministério Público e do Poder Judiciário, além de ser uma ferramenta para retaliações de investigados poderosos.

Ele criticou a ausência de propostas como a punição à carteirada e o fim da aposentadoria compulsória dos juízes como pena administrativa.

Repórter Tabata Viapiana

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