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Há um ano, se encerrava o julgamento de um dos casos mais emblemáticos da justiça paranaense. Às 17h20 do dia 28 de fevereiro de 2018, no Tribunal do Júri de Curitiba, o juiz Daniel Surdi Avelar, proferia a decisão de condenar o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho pela morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em um acidente de trânsito no dia 7 de maio de 2009.

Foram quase nove anos de recursos e mais recursos para evitar que o ex-deputado estadual fosse a júri popular e até para que o julgamento fosse realizado fora da capital paranaense, mas até no Supremo Tribunal Federal os pedidos foram negados.

Dois dias foram reservados para o julgamento. No primeiro, foram ouvidas seis testemunhas e o momento mais esperado foi o depoimento de Carli Filho.

Ele falou por cerca de 10 minutos e assumiu a culpa pelo acidente, mas garantiu que não saiu de casa para matar naquela noite. Também admitiu que errou, que teve consequências gravíssimas, mas ao final disse que não podia prever que o carro dos jovens passaria a sua frente em uma via preferencial.

No segundo dia, foram feitas as alegações finais e o júri, formado por cinco mulheres e dois homens, considerou que Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir sob efeito de álcool, em alta velocidade e com a carteira de habilitação suspensa.

O inquérito policial mostrou que ele conduzia o veículo entre 161 e 173 km/h no momento do acidente. E o juiz Avelar ressaltou que ex-parlamentar deveria ter dado o exemplo por ser uma figura pública.

Na saída do Tribunal, a mãe de Gilmar Yared, a deputada federal Cristhiane Yared, comentou o resultado do julgamento e ressaltou que não iria recorrer da decisão.

)Já o promotor do Ministério Público do Paraná, que também fazia a acusação de Carli Filho, Marcelo Balzer, disse que o povo que elegeu Carli foi quem deu a resposta e que considerava que a pena deveria ser maior.

Já o advogado Roberto Brzezinski, que atuou na defesa do ex-deputado, afirmava que iria recorrer da decisão.

O julgamento dos recursos começou em dezembro de 2018, mas foi suspenso por divergências sobre o tempo de prisão.

No dia 08 de fevereiro desse ano, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), composta pelos desembargadores Naor Macedo, Clayton Camargo e Miguel Kfouri, concluiu o julgamento dos recursos e condenou o ex-deputado a sete anos, quatro meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto.

Com a redução para menos de oito anos, o ex-deputado teria que cumprir a pena em regime semiaberto, tendo que passar a noite em uma unidade prisional, mas, segundo o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), o número de presos à espera por vagas no regime semiaberto é maior do que as vagas disponíveis, ou seja, pela condenação por duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, Carli Filho terá que usar a tornozeleira eletrônica e não vai passar nenhum dia na prisão.

Repórter William Bittar