Foto: Reprodução/MP
Terrazza Panorâmico

A juíza Taís de Paula Scheer, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, negou nesta quinta-feira (22), um pedido para que o médico Raphael Suss Marques, acusado de matar a namorada Renata Mugiatti, pudesse viajar para Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Na justificativa da decisão, a magistrada afirmou que “todos os pedidos de autorização de viagens anteriormente deduzidos foram deferidos”, mas que “fatos novos sobrevieram ao feito e estão diretamente relacionados a conduta do réu frente as medidas cautelares fixadas e o monitoramento eletrônico, o que neste momento justifica o indeferimento do requerimento”.

No dia 23 de janeiro, enquanto acontecia mais uma etapa das audiências de instrução do caso em que Suss Marques é réu pela morte da fisiculturista, em setembro de 2015, o médico, que deveria estar presente, apresentou uma justificativa falsa para comparecer a um torneio de poker em uma casa de jogos de Curitiba.

Imagens em uma mesa de poker e também das comandas do local comprovam, segundo o Ministério Público do Paraná, que o médico participava de torneios enquanto acontecia a audiência.

Na decisão para indeferir o pedido de viagem, a juíza frisou que “muito embora tenha respeitado o horário de recolhimento noturno, não observou que a medida cautelar substitutiva da prisão estipulou também a proibição de frequentar bares e similares, independentemente do horário”.

Desde então, a Justiça deu prazo para que a defesa de Suss Marques apresente uma justificativa para a denúncia do Ministério Público, mas até o momento, isso não aconteceu.

No pedido para que o médico pudesse viajar, estava a informação de que ele precisava atender pacientes no município, mas a juíza apontou que “o réu não acostou aos autos documentos que comprovassem as consultas agendadas, a imprescindibilidade na realização dos atendimentos, tampouco apontou os eventuais prejuízos para o caso de reagendamento”.

Raphael Suss Marques, que é acusado de matar a namorada e depois jogar o corpo pela janela do 31º andar do prédio onde morava, no Centro de Curitiba, em setembro de 2015, está em liberdade desde agosto de 2017 com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

O Ministério Público do Paraná já solicitou, por duas vezes, a revogação dos benefícios e a prisão preventiva do médico e após a negativa da viagem, solicitou ainda que, “o posterior descumprimento de eventual medida cautelar pode ensejar a conversão para prisão preventiva”.

Repórter William Bittar