Foto: AEN

A pedido do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR), o Juízo da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba, ratificou o recebimento da denúncia oferecida contra o ex-governador Carlos Alberto Richa, em relação a investigação na aplicação irregular de R$ 100 mil para reformar unidades de saúde de Curitiba.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal perante o Superior Tribunal de Justiça em junho de 2009, quando Richa era prefeito de Curitiba. No mês de abril, ao perder o foro privilegiado por deixar o governo do Paraná, o processo contra o ex-governador foi enviado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à primeira instância. A decisão foi tomada pelo ministro Herman Benjamin.

O Ministério Público Federal no Paraná, acatou a denúncia apresentada ao STJ, e decidiu pelo prosseguimento da acusação. No final de junho o juiz Nivaldo Brunoni, da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba decidiu acatar a acusação e fixou prazo de dez dias para que o ex-governador e candidato ao Senado apresentasse sua defesa por escrito.

Em julho, a defesa do ex-governador impetrou um habeas corpus junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), buscando o trancamento da ação penal. Apesar do pedido da defesa do ex-governador ter obtido parecer favorável da Procuradoria do TRF4, na sessão, o Tribunal não reconheceu o habeas corpus.

Conforme apontou o MPF na denúncia, foi firmado um convênio com o Fundo Nacional de Saúde para reformar três unidades de saúde de Curitiba: Abaeté, Parque Industrial e Vila Machado. O dinheiro foi repassado à prefeitura em novembro de 2006 e resgatado em dezembro do mesmo ano. Foi, de acordo com o MPF, empregado em desacordo com os planos a que se destinavam, sem aplicação em investimentos e tampouco na construção das unidades de saúde, objetos do plano de trabalho do convênio.

Além disso, um parecer de dezembro de 2008 apontou que, à época, os objetivos do convênio tinham sido apenas parcialmente executados. Ainda segundo a peça acusatória, na prestação de contas de fevereiro de 2008 constava a execução de 26% das obras.

Após a decisão do TRF4, que rejeitou o HC e determinou o prosseguimento da ação, o juiz federal substituto Paulo Sérgio Ribeiro, também da 23ª Vara Federal Criminal de Curitiba, analisou a defesa apresentada por Carlos Alberto Richa e novamente acolheu a denúncia, concluindo que “Diante do exposto, neste momento, não há que se falar em ausência de indícios mínimos de autoria, ausência de justa causa, tampouco quaisquer outras causas de absolvição sumária. Reafirmo a regularidade formal da denúncia e a presença de justa causa para o prosseguimento da ação penal”.

Em nota, a defesa do ex-governador Beto Richa informou que já está ingressando com uma medida judicial no TRF4, a fim de desconstituir a decisão que recebeu a denúncia oferecida pelo MPF e recebida pelo Juiz da 23ª Vara Federal de Curitiba.

— Repórter Vanessa Fernandes

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