Foto: Reprodução/Facebook

Os laudos anexados ao processo que investiga a morte da advogada Tatiane Spitzner, em Guarapuava, na região central do estado, apontam que a jovem morreu por asfixia mecânica, ou seja, foi morta antes de ser jogada do quarto andar do prédio onde morava com o marido e principal suspeito do crime Luis Felipe Manvailer. Os documentos foram apresentados na tarde desta quinta-feira (20).

O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Paulino Pastre, contou que a vítima tinha diversas marcas de lesões e escoriações, principalmente no pescoço, o que comprovam que houve uma luta corporal entre o casal.

O diretor disse que os elementos colhidos pelos profissionais do IML de Curitiba e de Guarapuava são unânimes em apontar que Tatiane sofreu uma esganadura.

“Todo o procedimento pericial, tanto nos exames complementares realizados em Curitiba como o exame necroscópico de Guarapuava confirmou, unanimemente, que a Tatiane morreu e posteriormente caiu do prédio. O meio utilizado foi asfixia mecânica por esganadura” afirmou o diretor do IML.

Além do laudo de necropsia feito, o exame toxicológico revelou alta presença de álcool no corpo da advogada. Para Pastre, isso impossibilitou se defender no momento da briga.

“O achado novo é que no exame toxicológico apareceu um elevado grau de alcoolemia no corpo de Tatiane. Isso sugere que ela estava bastante fragilizada para se defender no momento dos fatos ocorridos”.

Uma das grandes reclamações da defesa de Manvailer era a demora na entrega dos exames. O diretor explicou que isso aconteceu pela necessidade de descalcificação óssea e isso implica um processo químico demorado.

“Essa pesquisa foi bastante complexa, porque implicou na descalcificação ósseas, que é um procedimento um pouco demorado. Mas no final houve um fechamento de todos os meios de prova em um único sentido”.

Pastre também ressaltou que o conjunto de provas, não apenas as fraturas e escoriações pelo corpo, principalmente no pescoço, revelam que houve morte por esganadura.

“Todos os elementos que nós colhemos, unanimemente, de todos os profissionais que atuaram, chegaram a uma única conclusão. Ela sofreu esganadura e foi a óbito por asfixia mecânica”, concluiu o diretor.

Tatiane Spitzner foi encontrada morta na madrugada do dia 22 de julho, dentro do apartamento onde morava com o professor. Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram Manvailer antes agredindo violentamente a jovem e após a morte, arrastando o corpo para dentro do apartamento.

Luiz Felipe foi preso no mesmo dia do crime com o carro da advogada enquanto tentava fugir para o Paraguai. Ele está detido na Penitenciária Industrial de Guarapuava e sempre negou o crime, afirmando que a jovem se jogou da sacada do apartamento.

Ele responde pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e condição do sexo feminino (feminicídio), além de cárcere privado e fraude processual.

Em nota, a defesa do professor informou “que tão logo seja a intimada a respeito do conteúdo dos laudos, os submeterá aos assistentes técnicos com expertises nas matérias para posteriormente, nos autos, se pronunciar”.

Antes de o laudo ser anexado ao processo, a defesa de Luiz Felipe Manvailer enviou uma manifestação à justiça, questionando o vazamento do resultado, divulgado primeiramente pela imprensa na tarde desta quinta-feira.

Também por meio de nota, a família de Tatiane Spitzner disse receber a notícia com muita tristeza, mas frisou que “sua conclusão é mais uma prova de que o acusado mente” e que “ele a matou dentro do apartamento, submetendo-a um período prolongado de violentas agressões físicas”.

A nota finaliza ainda com nova afirmação de que “não houve suicídio, mas feminicídio e fuga do criminoso”.

Repórter William Bittar

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