Foto: EBC

As prisões temporárias dos três investigados da 42ª fase da Lava Jato vencem nesta segunda-feira. São eles: Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, e os irmãos André e Antônio Vieira, apontados como operadores financeiros de Bendine. Os três estão detidos na superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, desde a última quinta-feira.

Agora, a Polícia e o Ministério Público podem pedir a prorrogação das temporárias por mais cinco dias ou a conversão para prisão preventiva, quando não há prazo para soltura. Se não houver manifestação, os investigados poderão ser soltos. A decisão cabe ao juiz Sérgio Moro e só deve sair no final da tarde. Aldemir Bendine é acusado de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

De acordo com o Ministério Público Federal, quando ainda era presidente do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões à Odebrecht para viabilizar um contrato de financiamento, mas a empreiteira negou os pagamentos. Em fevereiro de 2015, na véspera de assumir a Petrobras, Bendine teria pedido os R$ 3 milhões para não prejudicar a Odebrecht em contratos com a estatal e para “amenizar” os efeitos da Lava Jato. Naquele momento, a operação estava prestes a completar um ano. O valor foi repassado em três entregas em espécie, de R$ 1 milhão cada.

Bendine foi nomeado para a Petrobras pela ex-presidente Dilma Rousseff para substituir Graça Foster. Ao ser anunciado, o discurso era de que Bendine “colocaria ordem na casa e acabaria com a corrupção na estatal”. Mas agora, ele próprio está preso por ter recebido vantagens indevidas. A conduta de Bendine foi alvo de críticas do procurador Athayde Ribeiro Costa.

A 42ª fase da Lava Jato foi a primeira etapa baseada nas delações premiadas de executivos da Odebrecht. Apesar disso, o MPF disse que juntou mais provas da atuação ilícita de Aldemir Bendine. Segundo os procuradores, quando as colaborações da Odebrecht se tornaram públicas em abril deste ano, Bendine teria agido para destruir provas e até recolheu imposto sobre a propina de R$ 3 milhões, alegando se tratar de pagamento por uma consultoria. Ele é o primeiro ex-presidente da Petrobras preso na Lava Jato.

Repórter Tabata Viapiana

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