Foto: Lucian Pichetti

Seis pessoas foram presas, na manhã desta quarta-feira (5), na 57ª fase da Operação Lava Jato. Batizada de Operação Sem Limites, a ação da Polícia Federal investiga o pagamento de US$ 31 milhões em propinas a funcionários da Petrobras por empresas que atuam na compra e venda de petróleo e derivados em uma atividade conhecida como trading.

Ao todo foram 11 mandados de prisão preventiva nas cidades de Niterói e Rio de Janeiro, além de 26 mandados de busca e apreensão nos dois municípios, além de Petrópolis e Curitiba. Seis pessoas foram presas e quatro estão foragidas, elas foram inseridas na lista de procurados da Interpol. Um investigado não foi preso porque está hospitalizado.

Também foram expedidas ordens de sequestros de imóveis, indisponibilidades de contas bancárias de investigados, assim como o bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento.

As investigações apontam que as negociações ocorriam entre a Petrobras e empresas estrangeiras.  De acordo com o delegado da Polícia Federal, Filipe Pace, as operações viabilizavam o pagamento de vantagens indevidas a executivos e as empresas tinham ganhos acima dos praticados no mercado.

Entre as empresas investigadas com atuação internacional, estão três gigantes estrangeiras com faturamento superior ao da Petrobras. Conforme a força-tarefa da Lava Jato, entre 2011 e 2014, essas empresas pagaram propina para intermediários e funcionários da Petrobras com um valor total de US$ 15 milhões.

O procurador da República, Athayde Ribeiro Costa, diz que não é possível descartar que o esquema continue até hoje.

Foram constatadas mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem. A PF explica que a Petrobras mantém escritórios e funcionários fora do país, o que facilita o recebimento e divisão de propinas em contas no exterior.

A Lava Jato vai apurar se o ex-executivo da Petrobras Paulo Roberto Costa, um dos primeiros delatores da operação Lava Jato, omitiu essas informações das autoridades. Atualmente, ele cumpre pena em regime aberto.

Os negócios envolviam compra e venda no mercado internacional de óleos combustíveis utilizados para geração de energia térmica em fornos e caldeiras; gasóleo de vácuo utilizado na produção de gasolina e diesel; asfalto e bunker, que é um combustível utilizado nos motores de navio.

O procurador da República ressalta que ainda não é possível dizer se o consumidor foi prejudicado com o esquema criminoso.

Os investigados vão responder pela prática de corrupção, organização criminosa, crimes financeiros e de lavagem de dinheiro. Os presos foram encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

A Operação “Sem Limites” é a segunda autorizada pela juíza Gabriela Hardt, que substitutiu Sérgio Moro após ele ser convidado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Repórteres Francielly Azevedo e Fábio Buchmann