Foto: EBC

É a segunda vez que o petista se senta diante do juiz federal responsável pelas ações na condição de réu.

O processo da vez indica supostos repasses de propina feitos ao ex-presidente Lula pela Odebrecht, com recursos advindos de corrupção.

A denúncia foi oferecida e acatada em dezembro de 2016. Nela, o ex-presidente foi apontado pelo Ministério Público Federal como líder de um esquema que teria movimentado R$ 75,4 milhões em vantagens indevidas. Dinheiro desviado de oito contratos da empreiteira com a Petrobras e repassado a partidos que integravam a base do Governo Federal, como PT, PP e PMDB.

Assim como na ação anterior, a do Tríplex do Guarujá, neste processo o ex-presidente foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPF, ele teria sido beneficiado de duas maneiras: por meio da compra e manutenção de um terreno em São Paulo no valor de quase R$ 12,5 milhões, onde seria construída a sede do Instituto Lula; e ainda com a aquisição de um apartamento ao lado da cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo, no valor de R$ 504 mil.

Outros réus da ação já foram ouvidos na Justiça Federal do Paraná na semana passada. É o caso de Antonio Palocci.

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos Lula e Dilma é apontado como o intermediário dos repasses quando ainda era deputado federal. No seu depoimento, Palocci acusou o ex-presidente de ter um “pacto de sangue” com a empreiteira.

Outro réu do processo, Marcelo Odebrecth, também incriminou Luis Inácio Lula da Silva em delação premiada.

Ao juiz Sérgio Moro, Marcelo disse que Lula tinha o codinome de “amigo” nas planilhas de propina da empresa e que havia, ainda, o chamado “saldo amigo”: R$ 40 milhões destinados para despesas pessoais do petista quando ele deixou a presidência.

O executivo da Odebrecht afirmou acreditar que Lula sabia da origem ilícita dos recursos e citou dois episódios que comprovariam isso: a compra do terreno para o Instituto Lula e doações feitas pela empreiteira.

A defesa do petista nega todas as acusações.

O depoimento está marcado para começar à 14h. Será mais uma vez presencial devido à exigência da defesa do político, que negou a sugestão de videoconferência.

Ainda na semana passada, foi a vez de o TRF4 negar um pedido dos advogados, que queriam o adiamento dos depoimentos.

Repórter Cristina Seciuk

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