Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Em uma das inúmeras interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal nos investigados da operação Carne Fraca, há uma conversa entre o ministro da Justiça, o deputado paranaense Osmar Serraglio, do PMDB, com Daniel Gonçalves Filho, fiscal agropecuário e superintendente do Ministério da Pesca e Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016. Segundo as investigações, Daniel seria o líder do esquema ilegal da venda de carne adulterada por grandes frigoríficos.

No grampo interceptado pela PF, de fevereiro do ano passado, Serraglio chamou Daniel de “grande chefe”. A conversa tratou de um frigorífico no interior do Paraná, que estaria sob ameaça de ser fechado por um fiscal agropecuário. Serraglio comunicou a situação a Daniel, que foi em busca de mais detalhes. Ele constatou que não havia problemas com o frigorífico e repassou a informação a Serraglio, que na época, ainda era apenas deputado federal.

A Polícia Federal, no entanto, não viu indícios de irregularidades envolvendo Osmar Serraglio. Em todo caso, a citação ao ministro foi enviada à Procuradoria Geral da República por causa da prerrogativa de foro, segundo o delegado Maurício Moscardi.

Serraglio se manifestou sobre o caso. Ele disse que o frigorífico em questão ficava a 50 km da cidade dele e, para saber mais informações sobre o possível fechamento da empresa, ele procurou Daniel por ser o superintendente do Ministério da Pesca e Agricultura no Paraná. O ministro disse que conhecia Daniel e também o dono do frigorífico investigado na operação.

O juiz responsável pela operação no Paraná, Marcos Josegrei da Silva, também afirmou, em despacho, que não identificou elementos da participação de Serraglio em atos ilícitos.

 

Repórter Tabata Viapiana

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