Foto: Marcelo Ricetti/CBN Curitiba
Terrazza Panorâmico

Um ano e sete meses depois, os moradores do entorno da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, não devem escutar mais os apoiadores do ex-presidente Lula e os atos realizados diariamente na chamada “Vigília Lula Livre”.

O movimento se instalou na região em abril do ano passado quando Lula chegou na Polícia Federal para iniciar o cumprimento da pena pela condenação no caso tríplex do Guarujá, onde foi acusado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Durante 580 dias, moradores tiveram que conviver, até de maneira forçada, com aqueles que prometeram ficar na frente da Polícia Federal até o dia em que Lula deixasse a prisão.

Na manhã de sábado (9), o acampamento instalado em um terreno na frente da Polícia Federal começou a ser desmontado pelos apoiadores do ex-presidente.

Carlos é morador da região. Ele comemorou a saída de Lula e, consequentemente, dos participantes da vigília. Ele lembrou o período em que as ruas foram ocupadas e bloqueadas, um tempo que ele não quer que volte.

Nem sempre o convívio entre moradores e participantes da vigília foi bom. Durante meses os moradores reclamaram do barulho e também da ocupação das ruas por parte dos manifestantes. Ruas ficaram bloqueadas por barracas e ônibus, além da necessidade de presença policial 24 horas por dia, justamente para inibir que os conflitos acontecessem.

A Prefeitura de Curitiba chegou a entrar com uma ação de Interdito Proibitório para evitar que os manifestantes continuassem nas ruas da região, estipulando multa, mas o caso só teve um desfecho após um acordo entre militantes favoráveis ao ex-presidente Lula, moradores do bairro Santa Cândida e órgãos de segurança pública, bem como o Ministério Público Federal e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), secção Paraná.

Ainda em julho do ano passado, a Vigília Lula Livre desocupou as ruas, mas alugou um terreno em frente à Polícia Federal, onde continuou os atos de apoio ao ex-presidente, mas com algumas restrições.

Nilton Parrulha estava cortando a grama na manhã de sábado, algo que fazia um tempo que ele não conseguia fazer. Aposentado, acompanhou todas as fases do acampamento dos apoiadores de Lula, mas agora não quer mais pensar nisso.

Lula deixou a Polícia Federal, na sexta-feira (8), após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar prisões após segunda instância. O ex-presidente passou a primeira noite em Curitiba, onde encontrou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que também deixou a prisão na sexta e, na manhã de sábado (9), seguiu para São Bernardo do Campo, em São Paulo.

O Movimento dos Sem Terra (MST) emitiu uma nota, informando que “a simbologia do Movimento, com bandeiras, bonés e camisetas, mostrava o compromisso do povo Sem Terra com a luta pela liberdade do maior líder popular do Brasil” e que, agora, “a luta segue nas ruas, em cada canto do país”.

Repórter William Bittar