Foto: Arnaldo Alves / ANPr

O juiz Sérgio Moro determinou a abertura de um inquérito para investigar o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). O tucano é suspeito de favorecer a Odebrecht em uma licitação relacionada a obras na PR-323, rodovia da região noroeste do estado.

O juiz deu 30 dias para que a Polícia Federal e o Ministério Público deem continuidade à investigação. O processo começou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em função do foro privilegiado do então governador. Richa deixou o Palácio Iguaçu em março para disputar uma cadeira no Senado. Com isso, o inquérito foi encaminhado à primeira instância da Justiça Federal.

Segundo Benedicto Júnior, executivo ligado à Odebrecht, a empreiteira doou R$ 2,5 milhões via caixa 2 à campanha de reeleição de Beto Richa em 2014. Em troca, a empresa abateria esse montante do projeto de duplicação da PR-323.

No fim da noite de sexta-feira (11), a governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP), exonerou o chefe de gabinete de Richa durante a campanha de reeleição em 2014, Deonilson Roldo, dos seis cargos que ocupava no Estado.

Deonilson era diretor de gestão da Copel e conselheiro fiscal da São Bento Energia, da Celepar, da Administração dos Portos, da Fomento Paraná, e do Conselho Estadual de Trânsito.

Ele foi flagrado, em áudios revelados pela revista IstoÉ da semana passada, tentando convencer Pedro Rache, diretor-executivo da Construtora Contern, a abrir mão da participação na licitação da obra de duplicação da PR-323, que já estaria prometida para a Odebrecht.

Defesa

A defesa do ex-governador Beto Richa afirma, em nota, que aguarda a decisão de um recurso contra o encaminhamento da investigação para a Justiça Federal.

“A defesa entende que, com o julgamento deste recurso, deverá ser reformada a decisão proferida, determinando a remessa para a Justiça Eleitoral, nos mesmos moldes de decisões de casos similares”, diz a nota.

O Diretório Estadual do PSDB também se pronunciou em nota, que afirma que todas as doações eleitorais nas campanhas do ex-governador ocorreram em conformidade com a lei e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Repórter Lucian Pichetti

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