Foto: Urbs

Ouvir som alto no celular, sem fone de ouvido, não é muito agradável para quem está ao lado da pessoa. Um motorista da linha Inter 2 se incomodou com a atitude de um passageiro e pediu para que ele baixasse o volume. O suspeito não gostou e, antes de descer do coletivo, esfaqueou o motorista. Os golpes atingiram o pulmão de Anderson Almeida Pereira, de 35 anos. Ele está internado no Hospital Evangélico. Não corre risco de morte.

A tentativa de homicídio foi no começo da noite desta segunda-feira (4), na Rua General Mário Tourinho, no Campina do Siqueira, em Curitiba.

O suspeito fugiu do local. A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso. Para o motorista de ônibus Waldir Fonseca, a violência contra os trabalhadores está banalizada.

Valdir Silva também é motorista de ônibus e diz que a impunidade é um convite a violência.

Este foi o segundo caso de violência em ônibus em quatro dias. Na última sexta-feira (1), um cobrador da linha Gramados morreu após levar dois tiros na cabeça dentro do coletivo. Na tarde desta segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira anunciou paralisações pontuais de uma hora no transporte coletivo até o dia 20 de setembro. O cronograma começou na madrugada desta segunda, com uma assembleia na Viação Sorriso. As linhas de ônibus da empresa atrasaram pelo menos meia hora.

Nesta terça-feira (5) a assembleia foi na empresa Redentor, que atende 49 linhas em toda Curitiba com 1.100 motoristas e cobradores. Desde às nove horas da manhã uma paralisação de uma hora atinge o anel central de Curitiba, formado pelas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Osório, Zacarias e Tiradentes, Travessa Nestor de Castro e Travessa Moreira Garcez.

Para o presidente do Sindimoc, foi a maneira encontrada de exigir mais segurança.

No final de julho foi criado o Comitê de Segurança no Transporte Coletivo. Fazem parte a Coordenação da Região Metropolitana (Comec), os Sindicatos dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região e o Patronal, as Polícias Militar e Civil, a Guarda Municipal, entre outros órgãos.

Na primeira reunião do comitê ficou definido que os trabalhadores receberiam cursos de capacitação para saber como agir em situações de violência, como arrastões. Outra medida foi o lançamento de uma campanha para incentivar as pessoas a fazerem o boletim de ocorrência. Além disso, Comec e Governo do Estado se comprometeram a estudar a possibilidade da implantação de câmeras nos ônibus. Até agora só a campanha saiu do papel.

Em nota o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) disse que não é responsabilidade das empresas a segurança no transporte coletivo. O Setransp enviou também um ofício ao Sindimoc. Expressou solidariedade em relação aos episódios de violência e se colocou à disposição a fim de encontrar soluções em conjunto.

O sindicato patronal, porém, avisou o sindicato dos trabalhadores, que as paralisações não serão toleradas e que as horas não trabalhadas serão descontadas ou ao menos compensadas.

 

Confira o cronograma de paralisações no transporte coletivo:

Fonte: Sindimoc

Repórter Lucian Pichetti

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