Foto: Arnaldo Alves / ANPr

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o ex-governador e candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), e mais 12 pessoas no âmbito da Operação Rádio patrulha. Entre os crimes listados está o de corrupção passiva, corrupção ativa e fraude a licitação.

Segundo a denúncia, o eixo do governo Beto Richa recebeu, entre maio de 2013 e julho de 2017, 8% dos valores brutos pagos às empresas responsáveis pelas Patrulhas do Campo, que forneciam veículos e equipamentos utilizados para obras e manutenção das estradas rurais.

Conforme o coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Batisti, o total dos pagamentos efetuados pelo Estado do Paraná às empresas conluiadas foi de R$ 101,9 milhões.

Além de Richa, outras 12 pessoas foram denunciadas, entre elas o irmão e ex-secretário de infraestrutura José Richa Filho, o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo, o ex-secretário de cerimonial, Ezequias Moreira e primo de Beto, Luiz Abi, além dos empresários envolvidos no caso. A ex-primeira dama Fernanda Richa, que também chegou a ser presa, não foi denunciada.

Para formular a denúncia apresentada nesta terça-feira, o cordenador do Gaeco diz que o MP baseou-se em diversos elementos probatórios

Beto Richa foi preso temporariamente no dia 11 de setembro, quando o Gaeco deflagrou a Operação Rádio Patrulha. As investigações tiveram início com base na delação de Tony Garcia. O ex-governador ficou detido até o final da noite do dia 14, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus a todos os envolvidos no caso, acatando argumentação da defesa de Richa de que a prisão temporária (que já havia sido convertida em preventiva) seria uma forma de se driblar a proibição da condução coercitiva, determinada pelo Supremo. Batisti criticou a decisão do ministro.

Com é candidato ao Senado, Richa não pode mais ser detido até o dia 7 de outubro, data da eleição, conforme prevê a legislação eleitoral brasileira.

Em nota, a defesa de Richa disse que “a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPE-PR) contra o ex-governador Beto Richa, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro, é baseada única e exclusivamente em termos de depoimento de colaborador premiado já conhecido do Poder Judiciário paranaense, sem qualquer base em provas de suas falaciosas alegações. Ainda mais grave, sem a mínima diligência investigativa por parte do próprio MPE-PR ou da Polícia Civil para fins de verificar as ilações feitas pelo delator. Contudo, permanece a confiança na Justiça, que, em tempo certo, reestabelecerá a verdade e a honra da família Richa”.

Repórter Francielly Azevedo

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