Foto: Orlando Kissner/ANPr

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o delator, ex-deputado Tony Garcia, entregaram os equipamentos utilizados para gravar os áudios usados na delação da Operação Rádio Patrulha, que resultou na prisão do ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB) e outras 14 pessoas. A confirmação da entrega foi feita, nesta sexta-feira (21), pelo juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba, Fernando Bardelli Silva Fischer.

O magistrado tinha ordenado a entrega dos equipamentos, ao considerar a necessidade de preservar o material gravado, após o irmão do ex-governador, Pepe Richa, ter solicitado uma perícia nos gravadores para apurar como as gravações foram feitas. A ideia era analisar os padrões de voz, existência de edições e supressões, datas e horários dos diálogos, por exemplo. O juiz avaliou que não cabe perícia nesta fase de investigação, mas solicitou a entrega e preservação dos equipamentos.

Richa foi solto na madrugada do sábado (15), após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em petição protocolada pela defesa do ex-governador. Segundo a defesa, a prisão temporária de Richa foi um artifício utilizado pelo Ministério Público para driblar a vedação da condução coercitiva.

Beto Richa, sua esposa, Fernanda Richa, seu irmão, José Richa Filho, e outras 12 pessoas foram presos no último dia 11. As prisões foram efetuadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

A prisão foi em decorrência da Operação Rádio Patrulha, que investiga o direcionamento de licitação, para beneficiar empresários, e o pagamento de propina a agentes públicos, além de lavagem de dinheiro, no programa do governo estadual do Paraná, Patrulha do Campo, no período de 2012 a 2014. No programa, o governo locava máquinas para manter as estradas rurais.

Richa é apontado como chefe do esquema criminoso. As investigações tiveram início com base na delação de Tony Garcia e apuram o pagamento de propina e posterior direcionamento de licitação para beneficiar os empresários envolvidos. Os contratos investigados somam R$ 72,2 milhões e seriam superfaturados.

Repórter Francielly Azevedo