Foto: Fabio Buchmann

O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou nesta semana um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar responsabilidades pelo incêndio e pelas mortes na Vila Corbélia, no bairro CIC, em Curitiba, na última semana.

O procedimento busca identificar as circunstâncias da morte de um policial militar na madrugada do dia 7 de dezembro, se há vinculação do fato com duas outras mortes na sequência e, ainda, se o incêndio teria relação com todos esses episódios, ou seja, se foi criminoso.

Nesta quinta-feira, 13 de dezembro, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Paraná encaminharam à Prefeitura de Curitiba um documento recomendando uma série de medidas a serem adotadas com relação ao episódio.

Entre as ações recomendadas, está a criação de um grupo de trabalho, por meio de ato do executivo municipal, para planejar e executar ações necessárias ao apoio às famílias atingidas e ao restabelecimento do direito à moradia.

O MP e a Defensoria pedem, também, que o local seja destinado pelo Município para a habitação de interesse social, por meio de ato declaratório, no sentido de assegurar o retorno das famílias atingidas. No documento, MPPR e Defensoria ressaltam a necessidade do restabelecimento das famílias em suas habitações, ainda que de forma provisória até a indicação da solução habitacional definitiva, com disponibilização de locação social e/ou auxílio-moradia emergencial, já sinalizado pela municipalidade.

Na quarta-feira (12), o prefeito Rafael Greca anunciou nas redes sociais que a prefeitura vai pagar aluguel social para as 200 famílias de desabrigados e cadastrados pela COHAB de Curitiba após incêndio na ocupação da Vila Corbélia.

Também nesta semana, a Polícia Militar do Paraná confirmou o afastamento de dois policiais militares que foram flagrados em vídeo atirando. As imagens foram registradas por um morador, horas antes do incêndio que destruiu cerca de cem casas na região.

Moradores da Vila Corbélia afirmam que as casas foram incendiadas por policiais, em represália pelo assassinato do soldado Erick Norio. Por outro lado, a PM afirmou que o incêndio pode ser atribuído ao crime organizado e negou qualquer tipo de violência contra a população da região.

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil abriu inquéritos policiais para investigar a morte do soldado da Polícia Militar e também de Pablo Silva Pereira da Hora, 22 anos e de Gabriel Carvalho Maciel, de 17 anos.

Pablo foi morto na manhã de sexta-feira, após o assassinato do PM, e Gabriel na noite do incêndio na região da Vila Corbélia.

Repórter William Bittar