Foto: Venilton KŸchler / AEN

A volta de surtos de sarampo em algumas regiões brasileiras e a queda nos índices de cobertura da vacinação em diversas cidades colocou autoridades sanitárias de todo país em alerta.

Até 31 de agosto, acontece campanha nacional de vacinação contra a doença para crianças de até 5 anos. A mobilização também inclui a vacina da poliomielite e terá destaque em 18 de agosto, um sábado, data definida como “Dia D”, quando aproximadamente 36 mil postos de vacinação estarão abertos em todo o país.

De janeiro a 1º de agosto deste ano, o Ministério da Saúde identificou um surto de sarampo nos Estados do Amazonas com 742 casos e Roraima, com 280 casos confirmados, e outros 4.576 em investigação.

Também houve ocorrências isoladas no Rio de Janeiro com 14 situações, Rio Grande do Sul com 13 casos, Pará com 2, Rondônia 1 e São Paulo também com 1caso. No Paraná não foi identificado nenhum episódio – segundo informações da Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesa), desde o ano 2000 não há registro de casos da doença no estado.

O Ministério da Saúde credita o reaparecimento dos surtos à presença de imigrantes venezuelanos na região Norte, já que o genótipo do vírus identificado nesses surtos recentes é o mesmo que circula na Venezuela, e também à queda nas coberturas de vacinação no país nos últimos anos.

Só no Paraná, para se ter uma ideia, segundo informações repassadas pela Sesa, a cobertura vacinal para o sarampo, que é a vacina tríplice viral passou de 99,4%, em 2015, para 86,2%, no ano passado, quando a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 95%.

O caso da poliomielite é pior: já estava abaixo da meta em 2015, marcando 83%. Em 2017 caiu ainda mais: 74,9% de cobertura vacinal. Ou seja: muitas crianças que deviam ter sido imunizadas, seguindo o calendário nacional de vacinação, que é obrigatório, e não foram.

Em razão destes números o Ministério Público do Paraná, por meio das áreas de Saúde e da Criança e do Adolescente, destaca a importância da sensibilização dos pais e responsáveis para a importância da vacinação. A promotora de Justiça Luciana Linero, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Criança, do Adolescente e da Educação, reforça que a vacinação é um direito da criança, garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

A promotora alerta ainda que o descumprimento deste dever de levar os filhos para vacinar tem consequências jurídicas.

Em função do reaparecimento do sarampo, o MP expediu ofício a todos os promotores de Justiça do Estado reforçando a importância de mobilizar as redes de proteção à infância e à juventude em suas comarcas para que fomentem a participação de toda comunidade na campanha de vacinação.

O público-alvo da campanha de vacinação são as crianças com mais de 12 meses e menos de 5 anos, que correm risco de serem infectadas caso não estejam vacinadas adequadamente.

Só podem ficar sem a vacinação, crianças e adolescentes que por recomendação médica por escrito não possam recebê-la.

Repórter Vanessa Fernandes