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Terrazza Panorâmico

O Ministério Público Federal (MPF), em Foz do Iguaçu, na região Oeste do Paraná, sobrevoou de helicóptero o Parque Nacional do Iguaçu, na última semana, e constatou a regeneração total da vegetação na área do leito da antiga Estrada do Colono. Segundo o MPF, a diligência foi realizada para instruir um inquérito civil que apura a possibilidade de reabertura da rodovia no interior do parque, entre os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema.

Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados prevê a reabertura da estrada, sob a justificativa de restaurar as relações socioeconômicas e turísticas nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. O MPF é contra e afirma que isso representaria um grave risco para a Unidade de Conservação.

A discussão sobre a reabertura se arrasta desde a década de 1980. Na Assembleia Legislativa, foi criada uma Frente Parlamentar pela Reabertura da Estrada-Parque Caminho do Colono. Os deputados trabalham para que a pista seja liberada para o trânsito dentro do que determina a legislação ambiental.

O coordenador da Frente, deputado Nelson Luersen (PDT), afirmou que o MPF tem todo o direito de investigar, mas que não poderá fazer nada se a estrada estiver dentro da lei.

Ainda, conforme o MPF, durante o sobrevoo, o comandante da aeronave da Polícia Rodoviária Federal teve dificuldade de localizar a área da antiga estrada, em função do completo estado de regeneração da floresta. O MPF relata que o antigo leito da estrada já desapareceu sob a vegetação, razão pela qual sua localização só foi possível por meio das coordenadas geográficas com uso de GPS.

Fechada em 1986, a Estrada do Colono, é um trecho de 17,5 km da PR-495 que corta o Parque Nacional do Iguaçu, ligando os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema, na região de fronteira entre Brasil e Argentina.

De acordo com o que foi apurado pelo MPF, a reabertura da estrada exigiria um desmatamento de 20 hectares dentro do Parque Nacional do Iguaçu, área que se regenerou nos últimos 16 anos, desde o fechamento definitivo da Estada do Colono por uma decisão judicial.

O deputado Nelson Luersen afirma que os moradores da região são favoráveis a reabertura da estrada.

O MPF destaca que além do desmatamento, a reabertura da estrada provocará a “ruptura” do ecossistema, com o consequente isolamento de animais, pois algumas espécies não atravessam áreas desmatadas; erosão e assoreamento de cursos d’água; o chamado “efeito de borda”, que consiste na alteração nas condições microclimáticas e produz grande desequilíbrio no bioma como um todo; morte de animais por atropelamento; difusão de doenças e contaminação biológica devido ao tráfego de veículos e de pessoas; risco de degradação ambiental por acidentes de trânsito dentro do Parque, com o consequente vazamento de combustível; e a facilitação da presença de pescadores, caçadores e palmiteiros.

Repórter Francielly Azevedo