Foto: Facebook Deltan Dallagnol
Terrazza Panorâmico

Ainda na noite deste domingo (9), após a divulgação das matérias do site The Intercept Brasil sobre a relação próxima de Sérgio Moro, ex-juiz da Justiça Federal e atual ministro da Justiça e o coordenador da força-tarefa Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, emitiu duas notas.

No texto publicado em seu site, o MPF declarou que os procuradores “foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes”.

De acordo com a nota, o “hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes”.

Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.

Sobre as publicações, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que “a atuação sórdida daqueles que vierem a se aproveitar da ação do “hacker” para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto e falsificar integral ou parcialmente informações atende interesses inconfessáveis de criminosos atingidos pela Lava Jato”.

Por fim, a nota ainda diz que “os procuradores da Lava Jato em Curitiba mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais que lhes dão contexto” e que “vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras”.

Já durante a madrugada desta segunda-feira (10), uma nova nota foi emitida pelo Ministério Público Federal (MPF). Nela, a instituição se manifesta sobre a situação do ex-presidente Lula e diz que “antes da apresentação de denúncias são comuns debates e revisões sobre fatos e provas, de modo a evitar acusações frágeis em prejuízo aos investigados. No caso Triplex, a prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro foi examinada por nove juízes em três instâncias que concordaram, de forma unânime, existir prova para a condenação”.

Sobre as alegações de que o órgão atuou em conjunto com Sérgio Moro, o MPF ressaltou que “a imparcialidade da atuação da Justiça é confirmada por inúmeros pedidos do Ministério Público indeferidos, por 54 absolvições de pessoas acusadas, e por centenas de recursos do Ministério Público”.

Ainda em nota, a força-tarefa disse renovar “seu compromisso de prestar um serviço de excelência à sociedade na esfera da Justiça, continuando a promover a responsabilização de criminosos poderosos e a recuperar bilhões desviados em favor dos brasileiros”.

Por fim, a nota afirma que os procuradores da força-tarefa Lava Jato estarão à disposição para prestar esclarecimentos e também divulgou números da atuação.

O MPF revelou que “apenas neste ano, dezenas de pessoas foram acusadas por corrupção e mais de 750 milhões de reais foram recuperados para os cofres públicos” e que “no total, em Curitiba, mais de 400 pessoas já foram acusadas e R$ 13 bilhões vêm sendo recuperados, representando um avanço contra a criminalidade sem precedentes”.

Já o ministro da Justiça, Sérgio Moro, também em nota, disse lamentar “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores” e criticou a postura do site “que não entrou em contato antes da publicação”.

Sobre as mensagens que citam o nome do ministro, Moro afirmou que “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.

Repórter William Bittar