Foto: Cristina Seciuk
Terrazza Panorâmico

Foi trazido ao conhecimento público nesta quinta-feira (13) a morte do compositor, músico, arranjador e maestro paranaense Waltel Branco. O falecimento aconteceu há cerca de duas semanas, no dia 28 de novembro, conforme consta do portal extrajudicial da Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, consultado pela reportagem da CBN Curitiba. Ele morava com uma das filhas em Jacarepaguá desde julho de 2017, quando se mudou da capital paranaense.

Nascido em Paranaguá, Waltel tinha recém completado 89 anos de idade, no dia 22 de novembro e não se sabe as causas da morte ou porque ela só foi comunicada agora aos familiares de Curitiba.

Durante as mais de sete décadas de carreira, Waltel foi personagem recorrente da mais importante música brasileira, ainda que sua figura possa ser obscura ou até mesmo desconhecida de parte do público. Segundo o jornalista Felippe Aníbal, que trabalha há alguns anos na produção de uma biografia do maestro, a sua vasta produção é até difícil de elencar.

Aníbal entrevistou mais de trinta pessoas para a produção do livro, em fase final de apuração. O jornalista conviveu com Waltel Branco em anos recentes aqui em Curitiba e manteve contato com o músico até cerca de um ano atrás, meses após a mudança. Agora, pretende finalizar o material que espera-se colabore para a preservação da memória e obra do artista.

No ano passado, cerca de um mês antes de Waltel deixar a cidade, a repórter Cristina Seciuk esteve por duas vezes com o maestro no modesto hotel em que ele vivia perto da praça Osório. Em uma dessas ocasiões, registrou alguns breves momentos dele ao violão.

Naquela época, já do alto dos quase noventa anos, contou que ainda compunha.

Dentre as produções de Waltel Branco que fazem parte do imaginário de gerações, a mais famosa e manjada é a trilha sonora de a Pantera Cor-de-Rosa, em parceria com Henri Mancini. Na TV Globo, compôs e arranjou temas de novelas e séries como Roque Santeiro, O Bem Amado e Sítio do Pica Pau Amarelo. Entre obras lendárias da nossa música, trabalhou no álbum Chega de Saudade, de João Gilberto – considerado o nascimento da Bossa Nova. Em toda a carreira, estima-se que tenha contribuído com mais de mil discos, ainda que – inúmeras vezes – sem os créditos devidos.