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O site The Intercept Brasil divulgou mais uma sequência de mensagens que teriam sido trocadas entre procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba, entre eles o coordenador Deltan Dallagnol e o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. As novas mensagens citam o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que teria apoiado as ações da Lava Jato.

As novas mensagens teriam sido trocadas em 22 de abril de 2016.

Naquele dia, Dallagnol mandou ao grupo de procuradores que conversou com o ministro Luiz Fux e contou que o ministro do STF teria afirmado apoiar os procuradores. “Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Só faltou, como bom carioca, chamar-me para ir à casa dele, rs. Mas os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições”.

O então juiz federal Sérgio Moro escreveu em inglês “In Fux we trust”, que significa “Em Fux nós acreditamos”.

O site também divulgou um material com as conversas completas das matérias que foram divulgadas no último domingo.

Nas novas mensagens divulgadas nesta quarta-feira (12), Deltan sugere uma reunião entre Moro, representantes do Ministério Público e da Polícia Federal para discutir novas fases da Lava Jato.

A mensagem foi enviada no dia 16 de outubro de 2015. Deltan sugere o dia 19 de outubro, mas Moro responde sugerindo a terça-feira.

O encontrou ficou então marcado para o dia 20 de outubro, às 10h30 e na continuação das conversas, Moro avisa ter decretado novas prisões de executivos da Odebrecht, quando um dos alvos era Marcelo Odebrecht, que se transformou em um dos principais delatores da Lava Jato.

Antes mesmo da divulgação das novas mensagens, a juíza federal substituta da Lava Jato, Gabriela Hardt, também revelou que teve o celular invadido por algum hacker.

Em nota divulgada pela Justiça Federal, a juíza informou que “o fato foi imediatamente comunicado à Polícia Federal” e que “não verificou informações pessoais sensíveis que tenham sido expostas e entende que a invasão de aparelhos de autoridades públicas é um fato grave que atenta contra a segurança de Estado e merece das autoridades brasileiras uma resposta firme”.

O Ministério Público Federal no Paraná também emitiu um novo comunicado nesta quarta-feira, dizendo que “as investidas criminosas contra celulares de autoridades de diferentes instituições da República continuam a ocorrer com o claro objetivo de atacar a operação Lava Jato”.

O comunicado afirma ainda que o conteúdo das mensagens pode ter sido editado ou alterado e que “diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores”.

Na próxima semana, Sérgio Moro vai até o Senado para falar sobre as mensagens vazadas. Ele também vai receber um convite para ir até a Câmara dos Deputados.

A Rede CBN entrou em contato com as partes envolvidas.

Sérgio Moro não se pronunciou sobre as novas mensagens divulgadas nesta quarta.

A assessoria do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná também informou que não vai se manifestar sobre os novos vazamentos. O mesmo foi informado pela assessoria do ministro do STF, Luiz Fux.

Repórter William Bittar