No dia 3 de outubro, aproximadamente 100 estudantes ocuparam o Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, protestando contra a reforma do Ensino Médio proposta pelo governo federal.

A partir daí as ocupações se espalharam rapidamente por todo o Paraná e outros estados do país. O movimento Ocupa Paraná chegou a contabilizar mais de 850 escolas ocupadas.

Desde o início das ocupações, governo e representantes do movimento travaram um cabo de guerra, dividindo a opinião pública. No dia 24, uma tragédia: um estudante de 16 anos morreu esfaqueado por um colega dentro de uma escola ocupada no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, conhecida como Colégio Safel.

Em coletiva de imprensa, o secretário de Segurança Pública, Wagner Mesquita, informou que os adolescentes estavam sob o efeito de drogas.

Na Assembleia Legislativa do Paraná, a estudante Ana Julia Pires Ribeiro, de 16 anos, fez um discurso aos deputados estaduais. Emocionada, ela disse que os parlamentares estavam com as mãos sujas com o sangue do aluno assassinado pelo colega.

O presidente da Casa, Ademar Traiano, não gostou. O fato ganhou repercussão na imprensa internacional

O governo então entrou com mandados de reintegração de posse, e propôs a desocupação de escolas, em troca da ocupação por um período de dez dias apenas no Colégio Estadual do Paraná.

Os estudantes aceitaram em primeiro momento. Mas, no dia seguinte, eles recuaram. Informaram que não sairiam do local e pediram que os estudantes resistissem em todas as escolas.

Em algumas escolas, integrantes do Movimento Brasil Livre, junto com pais contrários às ocupações, tentaram forçar a saída dos estudantes secundaristas. Houve pequenos tumultos, mas sem consequências mais graves.

No Ahú, em Curitiba, um vizinho da escola Loureiro Fernandes disse que os estudantes tinham o apoio da comunidade. A instituição também sofreu tentativa de invasão por um grupo contrário ao movimento dos estudantes.

O governador Beto Richa garantiu que as autoridades policiais estão monitorando todos os envolvidos nas ocupações, inclusive aqueles contrários ao movimento.

Um dos últimos locais ocupados foi o Núcleo de Educação de Curitiba. Houve troca de acusações entre representantes do movimento e a Polícia Militar sobre o corte da água e da energia elétrica no local sem autorização judicial.

De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Palácio Iguaçu, até o final da manhã desta quinta-feira, 141 escolas permaneciam ocupadas em todo o Paraná.

O Governo, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), obteve nesta quarta-feira uma liminar que impede invasão, pelos estudantes, do Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa.

A ação pedindo interdito proibitório foi proposta em razão de áudio transmitido via aplicativo WhatsApp, em que um suposto estudante falava de decisão por assembleia para ocupação do espaço nesta quinta-feira (3).

A multa imposta em caso de descumprimento é de R$ 10 mil por estudante que invadir o local. Nesta semana a procuradoria também pediu reintegração de posse de todas as 44 escolas ocupadas em Curitiba.

Por causa das ocupações nas escolas estaduais, aproximadamente 700 mil eleitores tiveram o local de votação alterado no segundo turno das eleições municipais.

O Enem também foi cancelado para aproximadamente 40 mil alunos no Paraná. Eles devem realizar as provas nos dias 3 e 4 de dezembro.

Repórter Fábio Buchmann

Deixe uma mensagem