Foto: Divulgação/Polícia Civil
Terrazza Panorâmico

Passar por uma ótica e ser abordado por um funcionário da loja, ofertando consulta grátis ou de baixo valor com um oftalmologista. Ou ainda receber a promessa de que, fazendo óculos ali, a consulta sai de graça. Quem passa pelo centro de Curitiba já flagrou uma situação como esta.

Equipes da Delegacia de Estelionato flagraram justamente esta prática em várias óticas do centro da cidade e encontraram clientes dentro dos consultórios onde aconteciam as avaliações ofertadas pelas lojas.

A primeira constatação foi de que as consultas eram feitas por optometristas, que são profissionais da área da saúde, mas não são médicos oftalmologistas. Os policiais localizaram vários pacientes acreditando que passam por consultas com oftalmologistas.

A delegada Vanessa Alice explica que os clientes eram levados ao erro.

Os profissionais não habilitados faziam, inclusive, receitas para óculos e lentes de contatos. Vinte pessoas foram levadas para a Delegacia de Estelionato e prestaram depoimentos. Entre elas estavam três optometristas que faziam as consultas e pessoas que foram lesadas com a prática. Ninguém foi preso e o inquérito policial deve aprofundar as investigações.

As equipes policiais apreenderam diversas fichas cadastrais, formulários de declarações, receituários e lentes de contato, encontradas com uma das vítimas. Também foram apreendidos cerca de R$ 10 mil, encontrados em apenas um dos consultórios visitados durante a operação. O volume era proveniente das consultas realizadas ilegalmente, segundo a polícia.

A delegada Vanessa Alice ainda explica que as óticas também induziam os pacientes a comprarem em determinada loja, o que configura venda casada.

A operação da Delegacia de Estelionato foi realizada em parceria com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação. O presidente da entidade, Rodolpho Ramazzini, salientou que a prática criminosa é muito comum em Curitiba.

Ramazzini afirma que a prática afeta a concorrência do setor, prejudicando as empresas que atuam dentro da legislação vigente. Ele ainda lembra a população que não existe mágica: se o serviço ou o produto é barato demais, existe algum tipo de problema.

Os profissionais não habilitados e os proprietários de óticas, apesar de não terem sido presos, vão responder por crimes de ordem econômica.

Repórter Joyce Carvalho

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