José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

O principal alvo da Operação foi Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, considerado um dos operadores financeiros do PSDB e o único preso nesta fase da Lava Jato.

A sexagésima fase da Lava Jato foi batizada como Operação Ad Infinitum, devido a repetição de modalidades criminosas já investigadas pela Polícia Federal.

No total 46 Policiais federais cumpriram 12 mandados de busca e apreensão, além de 01 mandado de prisão preventiva, nas cidades de São Paulo, capital, São José do Rio Preto, Guarujá e Ubatuba, todas no estado de São Paulo.

Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba. As investigações realizadas pela força-tarefa Lava Jato no Paraná revelaram a atuação de Paulo Preto como operador financeiro com importante papel num complexo conjunto de operações de lavagem de dinheiro em favor da empreiteira Odebrecht.

Ele teria se valido da cooperação de operadores financeiros que atuavam lavando dinheiro movimentado pela Odebrecht por meio de empresas e contas no exterior que passavam assim a justificar os recursos usados indevidamente.

De acordo com as provas colhidas ao longo da investigação, Paulo Preto disponibilizou, a partir do segundo semestre de 2010, R$ 100 milhões em espécie a Adir Assad no Brasil.

Segundo o procurador da República Roberson Pozzobon, 2010 foi ano eleitoral, e a Odebrecht tinha uma espécie de sede em pagar propina.

As transações investigadas superam R$ 130 milhões, que correspondiam ao saldo de contas controladas por Paulo Vieira de Souza na Suíça no início de 2017.

Várias contas estavam distribuídas em outros paraísos fiscais, tanto que a PF teve a colaboração de autoridades de Singapura, Bahamas, Espanha e Suíça.

O procurador Roberson Pozzobon comparou o banker de Paulo Preto como o de Geddel, descoberto em 2017, quando foram localizados mais de R$ 57 milhões. O volume era tanto, que as notas que seriam distribuídas no Brasil para pagar propina, precisavam ser colocadas no sol para não pegar mofo, segundo o delator.

A PF também investiga a participação de Aluísio Nunes no esquema, ex-senador pelo PSDB e ex-chanceler do Governo de Michel Temer. Em 2007 foi identificada uma solicitação de Paulo Preto, para o envio de um cartão de crédito em nome do político tucano. O pedido foi feito em um banco na Suíça.

Repórter Fábio Buchmann