O ex-ministro Antônio Palocci decidiu mudar, definitivamente, a estratégia de defesa na Lava Jato e quer se tornar delator. Ele trocou de advogado e contratou um escritório de Curitiba especialista em colaboração premiada. A negociação com o Ministério Público Federal será conduzida por Adriano Bretas e Tracy Reinaldet, que possuem outros clientes na Lava Jato e trabalharam, por exemplo, na colaboração do doleiro Alberto Youssef.

O criminalista José Roberto Batochio, que defendia Palocci há anos, deixou o caso por ser contra delação premiada. Em nota, Batochio disse que o ex-ministro iniciou tratativas para firmar a colaboração, uma estratégia de defesa que ele não aceita em nenhuma das causas em que atua. A mudança também já foi comunicada à Justiça Federal. Petições informando a saída de Batochio e a contratação de Bretas foram protocoladas nos dois processos em que Palocci é réu.

Os novos advogados do ex-ministro também já se manifestaram em nota. Eles rebateram uma informação divulgada por alguns veículos de comunicação, na semana passada, de que o MPF teria exigido a saída de Batochio para negociar a delação. Segundo a nota, não houve exigência, nem sequer alusão, dos procuradores pela contratação ou destituição de qualquer escritório.

A mudança teria sido feita por livre e espontânea vontade de Palocci. Ainda segundo Adriano Bretas, o MPF não exigiu que a defesa desistisse de um pedido de habeas corpus para negociar a colaboração. A nota diz que desistir ou prosseguir com um habeas corpus é uma escolha livre e exclusiva da defesa, sem qualquer interferência e muito menos exigência do Ministério Público.

O interesse de Palocci em delatar não é recente. Preso há oito meses e com chances de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro, ele estuda a possibilidade há algum tempo. Em depoimento ao próprio juiz, em abril, Palocci disse ter informações para mais um ano de Lava Jato.

O ex-ministro é réu em duas ações penais da Lava Jato. Uma delas, que investiga pagamentos de propina da Odebrecht ao PT por intermédio de Palocci, já está em fase final de julgamento, com a sentença prestes a ser proferida.

Para fechar a delação, ele deve oferecer informações para além da Petrobras. Por ter sido Ministro da Fazenda, Palocci tinha contato com instituições financeiras, que podem entrar no acordo. Além disso, delatores apontam Palocci como interlocutor das grandes empresas junto ao PT. Todas as decisões sobre pagamentos de propina e doações eleitorais via caixa 2 teriam passado pelo ex-ministro.

Repórter Tabata Viapiana

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