Foto: Cristina Seciuk

Uma enorme faixa preta com os dizeres “Luto pela ciência” está afixada nas icônicas colunas do prédio histórico da UFPR, na Santos Andrade. O cartaz marca a posição da comunidade acadêmica da Federal do Paraná em reação aos riscos de cortes nas bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, um dos principais órgãos de fomento à pesquisa no país.

O começo de tarde de quinta-feira (09) por lá foi de protesto. A estimativa é de que mil pessoas, entre alunos, servidores, professores e pesquisadores tenham participado da mobilização, batizada de ‘Luto pela Ciência, pela universidade pública, pelo futuro’.

Apenas na Universidade Federal do Paraná, o corte pode colocar em risco 1100 bolsas de mestrado e doutorado e outras 200 de pós-doutorado de acordo com a coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Ciência na instituição, Ana Sofia Oliveira. Ela afirma que o impacto mais imediato seria, é claro, para as pessoas que recebem as bolsas, mas destaca que reflexo inevitável é o prejuízo para as pesquisas realizadas na universidade pública, com chances de descontinuidade dos estudos e interrupção da produção de conhecimento, fazendo escoar pelo ralo os investimentos anteriores.

A representante da Federal do Paraná faz questão de frisar que os impactos negativos de uma possível redução do dinheiro para a Capes não se restringem aos bolsistas e à universidade, e cita apenas parte das pesquisas que estão em andamento e que podem sofrer com os cortes.

Apesar de o governo federal ter recuado e afirmado que não haverá cortes de bolsas, a situação é considerada crítica pelas universidades, uma vez que se espera redução de 11% no orçamento do MEC para 2019, o que deve respingar inevitavelmente na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A expectativa fica para os próximos meses, durante as discussões da Lei Orçamentária Anual e nesse meio tempo pesquisadores prometem seguir com pressão pela manutenção dos recursos federais para a área.

Um dos trabalhos que pode ser colocado em risco caso se confirmem os cortes é a preparação de nanomaterias de carbono realizada pelo Aldo Zarbin, do departamento de Química da Universidade Federal do Paraná. O nome distancia, mas na prática Zarbin trabalha com o desenvolvimento ou aperfeiçoamento de ferramentas para conversão, armazenamento e geração de energia, assunto da vez nesses tempos de escassez de combustível fóssil e busca por otimização das fontes renováveis.

Para o pesquisador, as chances apontadas para 2019 – de achatamento no orçamento da Capes – mostram que o país segue na contramão do mundo e coloca o próprio futuro em risco. Ele explica: sem dinheiro para a pesquisa acadêmica, quase toda a ciência nacional acaba.

Zarbin ainda avalia que uma redução nas verbas é a pior medida que pode ser tomada se o objetivo do governo é buscar um caminho para fora da crise.

Apesar de o governo federal ter recuado e afirmado que não haverá cortes de bolsas, a situação é considerada crítica pelas universidades, uma vez que se espera redução de 11% no orçamento do MEC para 2019, o que deve respingar inevitavelmente na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A expectativa fica para os próximos meses, durante as discussões da Lei Orçamentária Anual e nesse meio tempo pesquisadores prometem seguir com pressão pela manutenção dos recursos federais para a área.

Repórter Cristina Seciuk

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