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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (15)  a Operação Research contra o desvio de dinheiro público destinado à Universidade Federal do Paraná. O objetivo é apurar o repasse irregular de recursos mediante pagamentos sistemáticos, fraudulentos e milionários de bolsas a inúmeras pessoas sem vínculos com a instituição.

A investigação já reuniu indícios de fraudes em pagamentos realizados entre 2013 e 2016 a título de Auxílio a Pesquisadores, Bolsas de Estudo no País e Bolsas de Estudos no Exterior a diversas pessoas sem vínculo de professor, servidor ou aluno da UFPR. Segundo a Polícia Federal, foi constatada a participação de ao menos dois funcionários públicos nas fraudes, que são alvos de mandados de prisão. O valor total dos desvios ainda não foi divulgado.

A ação é realizada pela PF em conjunto com a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União. Cerca de 180 policiais estão nas ruas para cumprir 73 mandados judiciais: 29 de prisão temporária, oito de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Até o momento, 20 pessoas já foram presas – incluindo a chefe de orçamento e finanças e a secretária executiva da Pró-Reitoria de Pesquisa e Graduação da UFPR.

O nome da operação é uma referencia ao objetivo central das bolsas concedidas pela UFPR, que são destinadas a estudos e pesquisas. Os presos serão levados para as superintendências da PF em seus respectivos estados. Uma coletiva de imprensa está marcada para as 10h, aqui em Curitiba, para dar mais detalhes sobre a operação.

A UFPR divulgou uma nota oficial sobre a operação. Confira, na íntegra:

Diante da operação deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal, a Universidade Federal do Paraná informa:
1.As suspeitas de irregularidades no pagamento de bolsas e auxílios são objeto de investigações internas na UFPR desde dezembro de 2016, quando a própria universidade também tomou a iniciativa de encaminhar o caso à Polícia Federal, para investigação criminal.
2. Assim que tomou conhecimento da suspeita de desvios de verba pública, em dezembro de 2016, a administração anterior da Reitoria determinou a abertura de sindicância para apurar responsabilidades. O procedimento é conduzido por uma comissão formada por dois professores e uma servidora técnico-administrativa e, por força de lei, corre em sigilo. O prazo para conclusão do trabalho é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60. A previsão de término dos trabalhos é meados de abril de 2017.
3. Por determinação do atual reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, as duas servidoras suspeitas de envolvimento no caso foram suspensas do exercício de suas atividades funcionais, nos termos da Lei 8112/90.
4. O reitor Ricardo Marcelo Fonseca também determinou a criação do Comitê de Governança de Bolsas e Auxílios, visando aperfeiçoar os mecanismos de controle sobre esse tipo de pagamento. Também está criada, por meio de portaria, uma comissão para trabalhar no Plano de Transparência e de Dados Abertos da Universidade, instrumento para garantir que a sociedade tenha acesso a todas as informações de caráter público.
6.A Universidade Federal do Paraná tomou todas as providências cabíveis para esclarecer os fatos e responsabilizar os eventuais envolvidos. Com o resultado da investigação, a UFPR solicitará a restituição dos valores ao erário.
7. A gestão do reitor Ricardo Marcelo Fonseca reafirma seu compromisso com a transparência e a ética. Reforça ainda que condena veementemente qualquer prática ilícita e que continuará colaborando com as investigações, tanto no âmbito do Tribunal de Contas da União quanto da Polícia Federal.

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Foto: PF
Foto: PF

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