Foto: EBC

A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de prisão preventiva contra o ex-gerente executivo da área internacional da Petrobras Luis Carlos Moreira da Silva. Ele é investigado por suposto recebimento de vantagem indevida na aquisição pela estatal da Refinaria de Pasadena, no Estados Unidos. Ele é acusado pelo juiz Federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, de ter tentado destruir provas. Ele foi preso por volta das 6h.

Moreira da Silva foi condenado nesta quinta-feira (19) por Moro a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença faz parte do processo que apura o pagamento de propina a políticos do PMDB e funcionários da Petrobras para a contratação da Samsung Heavy Industries para construir dois navios-sonda.

Segundo Moro, Moreira da Silva recebeu mais de cinco milhões de dólares em contas no exterior. Na mesma ação foram condenados os lobistas Bruno e Jorge Luz.

A Polícia Federal cumpriu ainda mandados judiciais de uma nova operação que investiga o pagamento de vantagens indevidas a executivos da Petrobras através do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, que é o departamento criado pela empresa para o pagamento de propina. As ordens judiciais foram expedidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba e cumpridas no Rio de Janeiro e Recife.

Foram expedidos um mandado de prisão temporária, que já foi cumprido, segundo a PF, além de quatro mandados de busca e apreensão e um de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento. O alvo da condução não foi encontrado. Três intimações também foram cumpridas.

De acordo com a PF, um mandado de prisão temporária foi expedido contra o ex-executivo da Petrobrás Djalma Rodrigues de Souza. Inicialmente, a PF disse que o mandado havia sido cumprido, entretanto, por volta das 9h, a policia informou que ele não foi preso, pois se recupera de uma cirurgia.

Djalma Rodrigues de Souza já foi citado na delação de Ricardo Pessoa, da UTC, e de funcionários da Odebrecht. Ele foi apontado por delatores da Odebrecht como um dos beneficiários de pagamento de propina de até R$ 95 milhões em contratos de obras da Petrobras no Porto de Suape, como explica o procurador da república Roberson Pozzobon.

Há indícios concretos de que um grupo de gerentes da Petrobras se uniu para beneficiar o Grupo Odebrecht em contratações com a petroleira, mediante o pagamento de valores de forma dissimulada em contas de empresas off-shores estabelecidas no exterior. Djalma era diretor de novos negócios da Petroquisa, antiga subsidiária da Petrobras. Segundo as investigações ele recebeu, no Brasil e no exterior, mais de 17 milhões de reais.

Segundo Roberson Pozzobon, esse desdobramento da Lava Jato prova que a prática sistêmica de pagamento de propina não é mais exclusiva de grandes contratos.

Os investigados vão responder pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. O procurador da república destaca o investimento da Odebrecht em propinas.

O Ministério Público Federal chama a operação de 46ª fase da Lava Jato. Já a Polícia Federal diz que é um desdobramento da operação e que a nomenclatura é mera formalidade. Com a condenação de Luis Carlos Moreira da Silva a Lava Jato contabiliza mais de 110 pessoas condenadas, o que representa mais de 1.700 anos de prisão.

Repórter Lucian Pichetti

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