Foto: João Américo/Secom/MPF

A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Pleno do Supremo Tribunal Federal para que seja decretada a prisão preventiva do deputado paranaense Rodrigo Rocha Loures, do PMDB. A PGR apresentou um agravo regimental contra a decisão do ministro-relator da Lava Jato, Edson Fachin, que havia negado o primeiro pedido de prisão contra Rocha Loures. Ele é investigado pela prática de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução à investigação.

O inquérito foi instaurado no Supremo com base nas delações premiadas da JBS. Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala da JBS com R$ 500 mil em vantagens indevidas. O valor correspondia, segundo o Ministério Público, à primeira parcela de uma propina que seria paga mensalmente por 20 anos, totalizando R$ 480 milhões. A entrega foi monitorada pela Polícia Federal numa ‘ação controlada’, uma estratégia de investigação usada para conseguir provas e flagrantes. Rocha Loures também foi citado pelos executivos como a pessoa indicada pelo presidente Michel Temer para resolver assuntos de interesse da empresa.

O agravo da Procuradoria pede a reconsideração da decisão do ministro Fachin. Em caso de nova negativa, o recurso deve ser submetido, com urgência, ao Plenário do STF. Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a prisão é imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal, diante dos fatos considerados gravíssimos imputados a Rocha Loures e do flagrante por crime inafiançável.

Conforme o pedido, as gravações ambientais e interceptações telefônicas demonstram que o deputado “vem adotando, constante e reiteradamente, estratégias de obstrução à Lava Jato”. A PGR afirmou que Rocha Loures é uma pessoa poderosa e influente, que, em liberdade, pode fazer “uso espúrio do poder político”.

Na semana passada, a Procuradoria já havia pedido a prisão preventiva de Rocha Loures, junto com outras medidas cautelares, o que foi negado por Fachin. Ele apenas determinou o afastamento do cargo de deputado. O pedido de prisão preventiva da PGR também se estende ao senador afastado Aécio Neves, do PSDB.

Em nota, a defesa de Rocha Loures informou que não há qualquer motivo para a prisão do deputado afastado e que aguarda que o STF mantenha a decisão inicial de Fachin. Segundo a defesa, o político vai prestar todos os esclarecimentos devidos em momento oportuno.

Repórter Tabata Viapiana

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