Foto: Reprodução/Street View

A superlotação é problema antigo na carceragem do 8º Distrito Policial, em Curitiba. Não é novidade os presos se rebelarem. Por volta das 4h deste domingo (5), uma tentativa de fuga terminou com dois presos mortos. Eles tinham 37 e 29 anos e respondiam pelos crimes de tráfico de drogas e furto. Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML).

Segundo a Polícia Civil, policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Polícia Militar (PM) foram acionados para conter os presos durante o motim. Parte das carceragens foi danificada.

A Polícia Civil informa que um inquérito policial foi instaurado para apurar as duas mortes. A investigação fica a cargo da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O local abrigava 43 presos, mas, de acordo com a Polícia Civil, tem capacidade para 12. Na manhã deste domingo, a remoção dos 41 presos já foi solicitada para o Departamento Penitenciário (Depen).

De acordo com a presidente do Conselho da Comunidade na Execução Penal da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, Isabel Kugler Mendes, a superlotação do 8º distrito é reflexo da realidade das demais cadeias públicas do Paraná.

Hoje as delegacias no Paraná abrigam mais de nove mil presos que poderiam estar em presídios, penitenciárias e cadeias públicas. Não estão porque as obras previstas pelo Governo do Estado, de construção e ampliação de presídios, praticamente não saíram do papel. O projeto vem desde 2012 e prevê a criação de 6.756 novas vagas distribuídas em oito cidades paranaenses.

Até agora, porém, cinco licitações foram realizadas e apenas a construção da cadeia pública de Campo Mourão, na região central do estado, está em andamento. Em dezembro de 2016, o projeto foi reestruturado com uma redução de 20 para 14 obras. A mudança se deve à decisão do governo de utilizar tornozeleiras eletrônicas para diminuir a população carcerária nas delegacias.

Para a presidente do Conselho da Comunidade na Execução Penal, o que agrava ainda mais a situação é o fato de muitas pessoas estarem presas sem necessidade.

Para Izabel Mendes, a revolta dos presos nas carceragens deve aumentar.

O Paraná é um dos poucos estados que ainda não retirou presos das delegacias. Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Espirito Santo, por exemplo, já resolveram a situação de transferência dos presos das carceragens para unidades do sistema penitenciário.

Repórter Lucian Pichetti

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