Foto: André Richter - Agência Brasil/EBC

A 59ª fase da Lava Jato foi batizada de Operação Quinto Ano. Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 2 de prisão temporária nas cidades de São Paulo e Araçatuba, interior paulista. As ordens foram expedidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

Os presos, que serão trazidos para a Superintendência da PF, são o ex-presidente de empresas do Grupo Estre, Wilson Quintella Filho e o advogado e ex-executivo do grupo, Mauro de Morais. Uma pessoa está foragida. Trata-se de Antonio Kanji Hoshikawa, um dos protagonistas do esquema de lavagem de dinheiro, segundo a Polícia Federal.

Segundo a PF foram colhidos indícios de que diversas empresas pagaram propina a executivos da Transpetro, em percentuais de até 3% dos valores de 36 contratos fechados com a estatal, de 2008 a 2014. Os contratos somam mais de R$ 682 milhões. As investigações tiveram como ponto de partida declarações de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que firmou acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), como detalhou o procurador da República Júlio Noronha

Indicado e mantido no cargo pelo então PMDB, Machado afirmou em delação que ajustou o pagamento de propinas de pelo menos 1% dos contratos firmados pelo Grupo Estre com a Petrobrás. A análise da movimentação financeira dos investigados demonstrou que, logo após a realização dos depósitos nas contas, ocorriam saques fracionados em espécie como forma de burlar os controles do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Parte do valor, cerca de R$ 100 milhões, teria sido repassada a políticos, inclusive para a alta cúpula do PMDB. Somente o delator Sérgio Machado, segundo a PF, recebeu R$ 2 milhões por ano, além de R$ 70 milhões no exterior.

Há, ainda, indícios de que o escritório de advocacia de Mauro de Morais teria sido utilizado para a movimentação de valores ilícitos e geração de dinheiro em espécie em favor das empresas do grupo investigado. Em nota, Estre Ambiental informou que “vem colaborando com a operação e permanecerá à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações”.

Os acusados responderão pelos crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Repórter Fábio Buchmann