Foto: Divulgação/Polícia Federal
Terrazza Panorâmico

Dois mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e na Bahia na 63ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em cooperação com o Ministério Público Federal na manhã desta quarta-feira (21).

Os mandados foram expedidos pela 13ª. Vara Federal de Curitiba e objetivam a apuração de crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Federal, a operação investiga supostos pagamentos periódicos indevidos a dois ex-ministros por parte do Grupo Odebrecht. Os valores eram contabilizados em uma planilha denominada “Programa Especial Italiano”.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os alvos de prisão foram o ex-diretor jurídico da Odebrecht, Maurício Ferro, e o advogado Nilton Serson, que prestava serviços para a Braskem, empresa ligada à empreiteira.

O ex-presidente da Braskem, Bernardo Gradin, também foi alvo de buscas e apreensão.  Em depoimento feito ainda em 2017, o empresário Marcelo Odebrecht já havia afirmado que “Italiano” era o apelido do ex-ministro Antonio Palocci e “Pós-Itália” o apelido do ex-ministro Guido Mantega.

Segundo a PF, o pagamento da propina tinha como objetivo, entre outras coisas, a aprovação de Medidas Provisórias que instituiriam um novo refinanciamento de dívidas fiscais e permitiriam a utilização de prejuízos fiscais das empresas como forma de pagamento.

Antônio Palocci e Guido Matega teriam orquestrado um esquema ilícito para favorecer os interesses da Braskem, sendo que Guido Mantega solicitou a Marcelo Odebrecht o pagamento de propina no valor de R$ 50 milhões como contrapartida para a edição das MPs 470 e 472.

O pedido foi aceito e pago pela Braskem, por meio do Setor de Operações Estruturadas, contabilizando-se o valor de propina na planilha Pós Itália.

Esta era uma espécie de contabilidade informal de propina da relação ilícita mantida entre a Odebrecht e Mantega, criada como continuação da Planilha Italiano, referente à relação ilícita que era mantida entre a Odebrecht e Palocci.

A polícia diz ainda que outros R$ 68 milhões foram utilizados com o mesmo objetivo, e agora espera identificar todos os beneficiários do esquema.

Carbonara Chimica

Segundo Thiago Giavarotti, coordenador desta fase da Lava Jato, na casa de Ferro, em São Paulo, foram apreendidas quatro chaves de criptografia que podem dar acesso a pastas do sistema de propina da Odebrecht com conteúdo desconhecido pela Polícia Federal.

A suspeita da polícia, de que a chaves vão trazer mais elemtnso para as investigações, é reforçada pelo fato de Maurício Ferro não ter firmado acordo de Colaboração Premiada com o MPF.

O nome da operação, Carbonara Chimica, remete ao fato de que os investigados eram identificados como “Italiano” e “Pós-Itália”, havendo ainda correlação com a atividade desenvolvida por uma das empresas envolvida no esquema.

Foi determinada ordem judicial de bloqueio de ativos financeiros dos investigados no valor de 555 milhões de reais.

Os presos serão transferidos para a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde serão interrogados.

Repórter Fábio Buchmann