Foto: Polícia Federal
Terrazza Panorâmico

Foram cumpridos na manhã desta quarta feira (31) um mandado de prisão preventiva e três de busca e apreensão, no estado de Goiás. A 2ª fase da Operação Carne Fraca foi batizada de operação antídoto e tem como alvo o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no estado, Francisco Carlos de Assis.

Ele é acusado de destruir provas relacionadas às investigações. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis relacionados ao ex-superintendente.

No despacho assinado pelo juiz da 14ª Vara Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva, ele lembra que quando foi deflagrada a primeira fase da Carne Fraca, em março, Assis foi alvo de um mandado de condução coercitiva.

No entanto, quando a Polícia Federal foi até a casa do ex-superintende, ele não estava. Quem atendeu os policiais foi o filho do investigado que, segundo a Justiça, mentiu ou omitiu que o pai não morava mais lá.

Dois dias depois, em 20 de março, Francisco Carlos de Assis foi até a superintendência da Polícia Federal em Goiás, espontaneamente, prestar esclarecimentos, mas ficou em silêncio.

O ex-superintendente é réu por mediar negociações entre representantes de uma empresa do setor de alimentos e a Superintendência do Ministério da Agricultura em Goiás. De acordo com as investigações, em troca, Assis recebia propina. Ele teria recebido várias parcelas de R$ 5 mil cada, e até mesmo carnes fabricadas pela empresa envolvida.

O despacho cita que interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça registraram conversas do ex-superintendente com uma mulher com quem ele teria um relacionamento afetivo.

Em uma das conversas ele afirma que tinha acabado de rasgar algumas coisas. No diálogo o ex-superintende fala “Rasguei tudo bem picotadinho (…) estou até com os dedos doendo”. Em outra conversa, com a mesma mulher, Assis afirma que estava apagando conversas. A justiça acredita que se tratavam de mensagens trocadas por ele em aplicativos como o Whatsapp.

As conversas citadas pelo juiz foram registradas nos dias 18 e 20 de março. Logo após a deflagração da Carne fraca. Para o juiz federal, responsável pelos processos da operação, sabendo das investigações, o ex-superintendente atrasou o depoimento dele à Justiça para que pudesse destruir provas.

Agora, Assis passa a responder também por obstrução de investigação criminal. O ex-superintendente vai ser trazido para a sede da Polícia Federal em Curitiba.

Repórter Ana Krüger

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