Foto: EBC/arquivo

As divergências entre Polícia Federal e Ministério Público Federal na Lava Jato nunca estiveram tão expostas como agora. No início da operação, as duas instituições caminhavam juntas, mas atualmente, os conflitos vieram à tona. O principal deles foi após o fim da força-tarefa da Lava Jato na PF do Paraná. A medida gerou inúmeras críticas do Ministério Público, que vê prejuízos para a operação. A Polícia nega qualquer impacto no andamento das investigações.

Nesta quinta-feira, na coletiva de imprensa da 42ª fase da Lava Jato, o assunto foi novamente abordado. O procurador Athayde Ribeiro Costa criticou o fim da dedicação exclusiva dos policiais federais à Lava Jato. Ele disse que é preciso fortalecer a PF e acusou o Ministro da Justiça, Torquato Jardim, de ter reduzido o efetivo da Lava Jato em Curitiba sem nem conversar com os responsáveis pela operação. O procurador também comparou a postura de Torquato Jardim com a de seu antecessor no cargo, Alexandre de Moraes.

Algumas horas depois, Torquato Jardim participou de um evento em Brasília e respondeu as críticas do procurador. Com tom irônico, ele disse que faria uma visita social aos investigadores de Curitiba.

As críticas do procurador Athayde Ribeiro Costa foram ditas em uma mesa em que estavam representantes da Polícia Federal: o superintendente no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, e o coordenador da Lava Jato, delegado Igor Romário de Paula. Eles também trataram do assunto. Rosalvo Franco disse que não houve fim da força-tarefa na PF, mas sim uma reestruturação interna, com a incorporação do grupo de trabalho da Lava Jato à Delecor, a Delegacia de Combate à Corrupção e o Desvio de Verbas Públicas.

Já o delegado Igor Romário de Paula respondeu outra crítica do Ministério Público, a de que a PF estaria com dificuldades para conduzir as investigações da Lava Jato. É porque, das últimas sete operações em Curitiba, seis foram pedidas pelo MPF e apenas uma pela Polícia. O delegado minimizou a importância desses dados.

Em outro ponto de divergência entre as duas equipes, o delegado Filippe Pace revelou, em documento enviado ao juiz Sérgio Moro, que a Polícia Federal só teve conhecimento das investigações contra Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras, quando o inquérito vazou para a imprensa e foi publicado por alguns veículos de comunicação. Pace afirmou que a investigação foi conduzida de forma unilateral, apenas pelo MPF, sem amparo policial e criticou a postura dos procuradores no caso.

Repórter Tabata Viapiana

Deixe uma mensagem