Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr

O Programa Escola Segura foi lançado oficialmente nesta sexta-feira. Trata-se de um plano de ação interdisciplinar, reunido autoridades de segurança e educação.

O programa vai ser implantado inicialmente em 100 escolas espalhadas pelo Paraná. Elas ficam nas cidades de Londrina, Foz do Iguaçu, e em municípios que compõem a RMC. 

Neste primeiro momento, escolas de Curitiba não serão atendidas. O investimento previsto é de R$ 5 milhões. Policiais da reserva serão os responsáveis pela segurança nos estabelecimentos, e começam a ser convocados a partir da semana que vem.

Todos vão receber um treinamento que pode se estender por até 40 dias. De acordo com o governador Ratinho Jr., as escolas escolhidas nesta fase inicial apresentam histórico de violência.

“São escolas que têm problemas de vulnerabilidade e violência. Então nós vamos ter um policial, uma presença física, na porta de cada escola dessas com moto, com farda, seu armamento e comunicador. Esse policial vai ser treinado com cursos do PROERD para dificultar o acesso desses jovens às drogas, fazendo com que eles evitem o contato com esse mundo terrível”, explicou Ratinho.

O governador reforçou que programa envolve ações interdisciplinares. Profissionais da área da educação também serão capacitados para desenvolver estratégias de prevenção.

“A Secretaria de Justiça, Família e Trabalho vai fazer a parte de diagnóstico e treinamento dos profissionais de educação para identificar qualquer tipo de desvio psicológico do jovem, problema familiar ou qualquer outro problema que traga qualquer risco de surto. Tem o trabalho da secretaria da Segurança Pública, com a Defesa Civil, que vai dar treinamentos para nossos profissionais de educação em situações de calamidade, primeiros socorros ou incêndio e tem, também, o trabalho da Secretaria de Educação que vem com a parte pedagógica auxiliando toda essa estrutura”, afirma o governador.

Ratinho Jr., disse que o programa foi uma resposta à sociedade paranaense, em função da insegurança provocada pelo ataque que ocorreu dentro de uma escola na cidade de Suzano. Depois dos devidos ajustes, as ações serão estendidas para todas as cerca de 2 mil escolas estaduais existentes no Paraná.

O governador também explicou a finalidade do programa: “Criar um ambiente de mais tranquilidade para o educador, para o jovem e para os pais, que vão ter a tranquilidade de saber que o filho deles está em um ambiente seguro. E claro, na medida do possível, fazendo todos os diagnósticos do programa e fazer as melhorias necessárias durante o processo, ampliar isso para todas as escolas do Paraná.”

Para o professor Josafá Moreira da Cunha, do Departamento de Educação da UFPR, e que coordena o Projeto Aprendendo a conviver, é preciso aplicar de fato o conceito da prevenção. Muitos jovens que sofrem em silêncio com bullying, por problemas familiares, ou pelo uso de drogas, estão sozinhos.     

“Nós precisamos criar e promover ambiente aonde o apoio e a ajuda são a norma. Quantos outros jovens que estão em situações de tristeza, depressão, ansiedade, insegurança e que, por meio de uma amizade ou alguém com quem possa se conectar e receber apoio social, podem entrar num percurso positivo e não num caminho de violência contra seus pais e a sociedade”, afirma Josefá.

O professor vai além e diz que precisamos reaprender a mediar conflitos. Para ele, a convivência saudável com o contraditório precisa voltar a ser desenvolvida nas comunidades.

“Não apenas em atividade curriculares desenhadas para ensinar comportamentos positivos e de como se portar com a violência, o que também é muito importante, mas também no dia a dia, nos pequenos conflitos que ocorrem com qualquer pessoa, qualquer grupo, precisamos criar situações para que esses conflitos sejam resolvidos de forma não-violenta”, diz o professor.

O programa Escola Segura seria implantado inicialmente a partir do mês de maio.

Repórter Fábio Buchmann